Tratamento de pele no Photoshop

Tratamento de pele é um dos assuntos mais procurados por quem quer aprender a manusear o Photoshop. A seguir disponibilizo a vocês uma sequência de vídeos apresentados pelo fotógrafo Clício Barroso que mostra o passo-a-passo para se conseguir um tratamento para retrato bastante elaborado. Na minha opinião, o tratamento feito nos vídeos chega a ser exagerado, mas acredito que a intenção era justamente mostrar todas as possibilidades com relação ao tratamento digital para retratos. Por isso mesmo o tutorial é muito bom para aprendermos vários truques e conhecermos todas as etapas para um tratamento de pele perfeito. O Photoshop usado no vídeo é o CS3, portanto pode haver algumas diferenças nas ferramentas caso você tenha uma versão mais avançada do programa. Contudo, o princípio de funcionamento das ferramentas continua o mesmo.

A Escola de Fotografia Áurea Fotográfica oferece um curso de Photoshop voltado para fotógrafos. Nesse curso, além do tratamento de pele, são abordados muitos outros recursos para dominar esse programa fundamental para a fotografia digital. Confira no site da escola como nosso cronograma de Photoshop é completo: www.aureafotografica.com.br

Enquanto vocês não vêm estudar conosco, esperamos que façam bom proveito dos vídeos! 😉

Como iluminar pessoas (retrato e beleza)

Quando vamos fotografar pessoas, podemos simplesmente fazer um retrato ou, mais especificamente, fazer uma foto para ressaltar a maquiagem ou o penteado. Neste caso chamamos de foto de beleza. Apesar de em ambos os casos estarmos fotografando pessoas, as iluminações mudam um pouco. Na foto de beleza, a iluminação é um pouco mais padronizada, pois tem que iluminar bem o rosto da modelo para evidenciar bem a maquiagem. Já a fotografia de retrato a luz é um pouco mais flexível, permite mais sombras e volumes. Mas isso não quer dizer que não podemos usar uma iluminação de retrato para beleza ou vice versa. Na fotografia tudo é possível dependendo da intenção do fotógrafo.

A Escola de Fotografia Áurea Fotográfica possui um estúdio completo para todo tipo de iluminação. Nós oferecemos um curso específico para iluminação de retrato, beleza e moda. Venha estudar conosco e a prender todos os detalhes de como usar o fotômetro de mão e montar esquemas de luzes que deixarão suas fotos de arrasar! Acesse o site a escola para mais informações: www.aureafotografica.com.br

A seguir, para dar um gostinho do quanto de quero mais, apresentamos uma série de vídeos selecionados do youtube que mostram esquemas de iluminação de pessoas. São mostrados tanto iluminações específicas para retratos quanto as específicas para beleza. Os vídeos foram colocados numa ordem gradual de complexidade a fim de tornar o post mais didático.

O primeiro vídeo é bem didático e mostra vários tipos de iluminação. Preste atenção nos nomes que o fotógrafo dá para cada esquema de iluminação, pois esses nomes são bastante utilizados no ramo da fotografia.

O próximo vídeo começa com uma explicação teórica sobre o softbox octagonal. Se você não quiser ver essa parte, pule direto para o minuto 3:09 no qual o fotógrafo começa a demonstrar na prática a iluminação de retratos. A primeira dica dele é deixar o softbox o mais próximo possível da modelo, para que a luz seja bem suave. No segundo exemplo, o fotógrafo usa o softbox octagonal como fundo para conseguir um branco puro. Um segundo softbox é usado à frente da modelo para iluminá-la. Um rebatedor completa a iluminação, suavizando as sombras. Note que esse é o esquema chamado de butterfly no vídeo anterior. Esse é o esquema mais indicado para foto de beleza.

O vídeo a seguir mostra um esquema padrão de três luzes para retrato. Esse esquema é muito utilizado e confere um efeito bonito. Portanto, se você não quer errar, use-o. O esquema de três luzes funciona da seguinte maneira: Uma luz principal é colocada à frente, deslocada para o lado do modelo, num ângulo de 45º. Uma luz de preenchimento é colocada também à frente do modelo, só que do lado oposto, também à 45º. Essa luz de preenchimento serve apenas para suavizar as sombras provocadas pela luz principal. Portanto, ela deve ter a metade da potência da luz principal. Não deixe a luz de preenchimento na mesma  potência da luz principal porque senão você não terá as variações de luz e sombra necessárias para dar volume ao rosto do modelo. No caso do vídeo é usado apenas um rebatedor branco como luz de preenchimento. Por fim, uma terceira luz é colocada atrás do modelo para criar um contorno e destacá-lo do fundo. Essa contra luz deve estar do lado oposto da luz principal. Veja o vídeo e confira a iluminação.

O vídeo seguinte também mostra o esquema de três luzes para retrato. O vídeo foi colocado aqui apenas para que esse esquema de luz fique melhor explicado, já que se trata de uma iluminação muito utilizada.

O próximo vídeo mostra novamente o modelo butterfly. O vídeo é bem longo e o começo é desnecessário, portanto, não perca tempo e pule logo para o minuto 2:50. O fotógrafo mostra a iluminação clássica para a foto de beleza: a luz butterfly que consiste numa fonte de luz principal frontal um pouco mais acima da cabeça da modelo. No caso, o fotógrafo ao invés de usar um softbox usou um beauty dish que consiste num refletor parabólico com um protetor para a lâmpada. Abaixo da modelo foi colocado um rebatedor prateado. O fotógrafo ainda usou um espelho retangular para iluminar os olhos da modelo.

O último vídeo mostra um esquema de iluminação bastante sofisticado, utilizando cinco fontes de luz. O esquema segue o princípio básico da iluminação butterfly. A luz principal é um beauty dish logo à frente da modelo. Um rebatedor é utilizado abaixo para minimizar as sombras. Dois softboxes são colocados nas laterais, um pouco mais atrás da modelo, para servirem de contra luz e criar um contorno luminoso na modelo. Uma quarta luz é colocada sobre a cabeça da moça e serve para dar brilho ao cabelo. Finalmente, uma quinta lâmpada é direcionada para o fundo para criar um degradê e não deixar a imagem tão chapada.

Gostou dos vídeos? Ficou com vontade de fazer tudo isso na prática? Acesse o site a escola para mais informações: www.aureafotografica.com.br

Regra dos terços

Você já reparou no logotipo da nossa escola, a Áurea Fotográfica? É o desenho da espiral áurea que serve como base para a composição da arte clássica, seja pintura, escultura ou até mesmo arquitetura.

Áurea fotográfica

Uma simplificação dessa proporção dourada para tornar a composição mais fácil é a regra dos terços.

O LULI RADFAHRER, um dos professores mais conceituados da USP, diz que a câmera fotográfica não é uma arma para você mirar bem no centro de  algo e atirar. Portanto, a regra básica para conseguir boas composições é: não centralize! Desloque seu objeto de interesse para um dos cantos da imagem.

avião na mira!

Veja a foto acima do avião. Acho que o autor queria derrubá-lo, e o pior é que ele é bom de mira. Centralizou direitinho o avião! Mas com isso, errou feio na composição.

Ainda segundo o Luli, a simetria é algo óbvio, estático e previsível. Por isso temos que fugir da centralização para promover o dinamismo na imagem.

regra dos terços

A regra dos terços é muito simples, com duas linhas imaginárias, divida a imagem em três partes iguais tanto na vertical quanto na horizontal. Procure colocar os objetos principais da sua foto em uma dessas linhas ou na intersecção delas, onde são os focos de interesse, como mostra o esquema acima.

Veja o seguinte exemplo:

Plaza del Ayuntamiento, Valencia, Espanha

Os principais focos de interesse nessa foto são: o velhinho e o sol. Perceba como eles estão posicionados sob as linhas que dividem os terços verticais da imagem. Ainda, continuando a composição, podemos ver a linha do horizonte sob  a linha que delimita o terço inferior. Esses elementos foram parar aí por sorte? Claro que não! O enquadramento e o ponto de vista do fotógrafo foram ajustados para que cada elemento de interesse ficasse em uma das linhas que dividem os terços.

Cristiane Frolini

Veja este segundo exemplo acima que é menos evidente. Os focos de interesse que são os seios, a mão e o rosto não estão exatamente sob as linhas que dividem os terços. Mas a regra continua sendo respeitada: os seios e a mão estão no terço inferior da imagem e o rosto está no terço superior esquerdo. Deu pra perceber que existe uma tolerância para deslocar os elementos um pouco pra lá ou pra cá. Eles não precisam ficar exatamente sob as linhas.

barbie

Quando fazemos um retrato, o foco de interesse está na cabeça. Então, atenção a ela! Monte a composição de modo que a cabeça do retratado esteja sob uma das linhas verticais. Se ela estiver numa intersecção de uma vertical com uma horizontal, melhor ainda. De modo geral, a imagem fica melhor quado o espaço livre da imagem (o fundo) está do lado para o qual a pessoa retratada está olhando. Neste exemplo acima, como a cabeça da Barbie está ligeiramente virada para a esquerda da imagem, foi deste lado que o espaço apareceu. Assim parece que a pessoa tem mais ar pra respirar e também não dá a sensação que que ela está olhando fixamente contra uma parede.

composição rosto

Já, quando fotografamos um rosto, os pontos de interesse são os olhos e a boca. Portanto, atente para as posições deles na imagem. Confira como isso foi feito no exemplo acima: os olhos no terço superior; a boca no terço inferior; toda a cabeça no terço direito e o fundo (o vazio da imagem) mais do lado para o qual o rosto está virado.

Anda com relação à regra dos terços devemos pensar o seguinte. O que está no alto da imagem nos traz a sensação de leveza, movimento, alegria, espiritualidade, céu. Enquanto que tudo que está abaixo nos dá a sensação de peso, descanso, estabilidade, tristeza, solidez, terra. Assim, quando for compor a imagem, pense naquilo que você quer transmitir ao observador. Observe os exemplos abaixo.

composição avião pássaro

Voltando à nossa primeira imagem do avião. Perceba como ela ficou melhor enquadrada desta maneira. Assim, temos a sensação de que o avião voa mais alto. Já na imagem ao lado, como o passarinho está pousado num galho, ficou melhor enquadrá-lo no terço inferior da imagem, assim temos a sensação de que ele descansa tranquilo.

Pra terminar veja esses dois últimos exemplo:

composição caminhando

As duas fotos ao lado foram feitas a partir de uma mesma imagem, porém perceba como elas são diferentes. Na primeira, como temos mais imagem na frente do homem, temos a sensação de que ele está chegando, entrando na história que a foto conta. Já na segunda imagem, como temos mais fundo atrás do homem, temos a sensação de que ele está indo embora, está saindo da nossa história.

Concluindo, a regra dos terços serve para inserir o elemento principal da foto num contexto, inserir o personagem numa história, relacionar os diferentes planos da imagem e guiar o olho do obsevador. Essa regra é excelente e funciona para a grande maioria das imagens. Até dá pra fazer boas composições fugindo disso, mas o que ninguém pode negar é que a regra dos terços nunca falha.

A regra dos terços é a primeira ensinada quando se fala de composição da imagem fotográfica. Mas ela não é a única. A Escola de Fotografia Áurea Fotográfica dá muita importância à composição da imagem. Queremos que nossos alunos desenvolvam o olhar para fazer fotos harmoniosas e criativas. Acesse o site da escola para conhecer nossos cursos: www.aureafotografica.com.br

Diane Arbus

Com o intuito de criar um repertório visual em seus alunos e ajudá-los a expandir suas temáticas fotográficas, a Escola de Fotografia Áurea Fotográfica disponibiliza regularmente um post sobre um fotógrafo diferente. Isso porque a Áurea Fotográfica acredita que boas referências são fundamentais para o desenvolvimento da linguagem fotográfica, pois não é só a técnica que forma um bom fotógrafo. A temática, o conceito e o olhar são fundamentais para o aprimoramento de quem quer explorar a fotografia, seja profissionalmente ou apenas como um hobby.

Se você também quer expandir sua fotografia para além da técnica, venha estudar conosco. Temos cursos para todos os níveis e intuitos. Na Áurea Fotográfica, técnica e linguagem caminham juntos! Acesse nosso site para mais informações: www.aureafotografica.com.br

Leiam o texto abaixo e se surpreendam e se emocionem com as fotos de Diane Arbus!

The Human Pincushion, Ronald C_ Harrison, New Jersey, 1962

Dar uma câmera fotográfica a Diane Arbus é como dar uma granada de mão a um bebê.

Norman Mailer

Diane Nemerox nasceu em Nova York no dia 14 de março de 1923 e cresceu no Central Park West. Seu pai possuía uma loja de departamentos na 5a Avenida. Aos 14 anos Diane conheceu Allan Arbus, com quem ela se casou quatro anos depois. Foi com Allan que Diane tomou gosto pela fotografia. O Casal trabalhou em diversas revistas de moda, além de fazer uma campanha publicitária para a loja de departamentos do pai de Diane. Contudo, depois de se separar de Allan, Diane resolveu seguir um caminho próprio. Foi então que estudou com Alexey Brodovitch, Richard Avedon e, principalmente, Lisette Model que teve influência decisiva no estilo da fotógrafa. No início dos anos 60 Diane deu início à carreira de fotojornalista e publicou na Esquire, The New York Times Magazine, Harper`s Bazaar e Sunday Times, entre outras revistas. Por esta altura, escolheu uma máquina reflex de médio formato Rolleiflex com dupla objetiva, em detrimento das máquinas de 35 mm. Com a Rolleiflex teria “vistas largas”, mais resolução e um visor à altura da cintura que lhe proporcionava uma relação mais próxima com o fotografado.

Identical twins, (Roselle, New Jersey, 1967

Apesar de pertencer a uma família da alta burguesia e de ser fotógrafa de moda, Arbus optou, como novo trabalho, por fazer de sua arte fotos despojadas de qualquer glamour. Para tanto, fotografou obsessivamente os freaks dos porões de uma Nova York triunfante, onde a ordem moral vigente determinava, através de dispositivos legais do município, a repulsão de pessoas inconvenientes à limpidez das rotas turísticas da cidade. Assim, indigentes, prostitutas e outros “maus elementos” foram varridos para as zonas periféricas, evitando qualquer mal estar para as classes favorecidas da região central. Diane obstinou-se justamente nesses personagens marginalizados. A eles juntaram-se anões, gigantes, deficientes mentais e travestis, que se tornaram personagens recorrentes em sua galeria de excentricidades. Diane adorava essas pessoas estranhas pelos quais afirmava sentir ao mesmo tempo fascinação e vergonha: “como um personagem de um conto de fadas o freak aparece para nos obrigar a decifrar um quebra-cabeça”. E ela continuava dizendo que “a maioria das pessoas passam a vida temendo uma experiência traumática. Os freaks nasceram banhados pelo trauma. Com isso passaram no teste da vida. São aristocratas”. Os retratos são sempre em preto e branco. Percebe-se que seus modelos posam estáticos para ela, o olhar fixo na câmera. O que se vê são pessoas cruamente expostas em sua precária condição humana, fortemente marcadas por um traço, ou vários, que as insere num grupo específico, uma comunidade ou o que hoje modernamente chamamos de uma “tribo”: os travestis, anões, mascarados, etc. Com isso Arbus abriu um curioso diálogo entre aparência e identidade, ilusão e crença, teatro e realidade. Uma pessoa é o que ela parece ser? Sua imagem funciona como um carimbo de identidade? Ou existe um “para além” da forma? Apesar de profundamente inseridos num contexto social, para Arbus seus modelos são pessoas únicas que representam metáforas delas mesmas. Procuram, ao acentuar um aspecto físico, um detalhe qualquer na roupa, a diferenciação possível dentro do grupo a que pertencem. Numa tradução livre de suas palavras ela diz que seus modelos “inventados por suas próprias crenças são autores e heróis de um sonho que se faz real na medida em que nós, espectadores, nos permitimos deixar abismar”. Com seus retratos, ao evocar a cumplicidade de quem olha, Arbus permite que surja nesta relação tridimensional (artista, modelo e espectador) o espaço da criação. Seria este o “mais além”? O lugar da fantasia de cada um? Susan Sontag, no prefácio do livro Women (Ed. Random House, New York) de Annie Leibovitz, propõe uma questão interessante: “A fotografia não é uma opinião. Ou é?” Para Arbus um retrato é “um segredo sobre um segredo”. Quanto mais ele revela, menos sabemos, mais ficamos intrigados. Num certo sentido o retrato convida a uma opinião, pede uma reação, reação esta calcada nas representações que brotam do imaginário de quem olha.

Mexican dwarf in his hotel room (Lauro Morales, aka Cha Cha), New York, 1970

Além disso, os retratos de Diane Arbus trazem quase sempre a combinação de dois elementos fundamentais. Em primeiro lugar, uma empatia do sujeito fotografado com o fotógrafo. Os modelos de Diane parecem confiar nela, oferecendo-se à câmara com o olhar. Por outro lado, há um detalhe técnico que acrescenta uma aura de estranheza ao retrato: Diane foi uma das primeiras fotógrafas a usar sistematicamente o flash juntamente com a luz do dia. Não só isto evitava o escurecimento de rostos frente a cenários demasiadamente claros, como também banhava o modelo com uma luz dura e direta, sem artifícios. O resultado desta combinação, além da precisa escolha das pessoas fotografadas, é um trabalho marcante e perturbador, que coloca Diane Arbus como um dos nomes mais importantes da fotografia documental

Child with a toy hand grenade in Central Park, New York, 1962

Diane Arbus também gostava de fotografar casamentos e outros rituais que para ela representam momentos marcantes de emoção compartilhada. Procurava mostrar que o contágio de sentimentos, o caráter repetitivo dos rituais insere as pessoas nas suas comunidades dando sentido à vida, tecendo a identidade de cada um pela identificação com o outro. Ao exprimir o retorno do mesmo, o ritual parece querer “driblar” a morte. Se pensarmos que a fotografia congela um instante no tempo, Arbus imortalizou seus modelos, imortalizou Nova York como o território livre que abriga todo tipo de gente.

Masked woman in a wheelchair, Pa_, 1970

A sensação de estranhamento diante das fotografias de Diane Arbus remete a um artigo escrito por Freud em 1919 “Das Umheimliche”, cujo título original foi traduzido como “O Estranho”, que pode ser também o inquietante, o macabro. A palavra alemã “umheimliche” curiosamente traz uma ambigüidade que oscila entre num extremo o “familiar” e no outro o “desconhecido”. Então tudo que para nós é estranho é ao mesmo tempo familiar. Duas faces da mesma moeda. Nossa inquietação diante do estranho só é possível porque ele nos leva de encontro a um familiar que ficou esquecido, dormindo calado no inconsciente. Não raro diante de uma fotografia de Arbus surge o primeiro impulso de afastar o olhar, desconcertados “não queremos ver” para em seguida, querermos “ver” no sentido pleno de “olhar” (sentir o que se passa no nosso interior). As fotos de Diane tiveram reconhecimento imediato, tanto que ela recebeu duas vezes a bolsa Guggenheim, em 1963 e em 1966, para subsidiar seu trabalho e desenvolver melhor um trabalho de autor. Um ano após sua primeira bolsa, seu trabalho foi reconhecido por John Szarkowski que deu forma a primeira exposição da fotógrafa no Museu de Arte Moderna (MoMA), em Nova York. Depois ela se dedicou a ensinar fotografia na Parsons School of Design em Nova York e no Hampshire College em Amherst, Massachusetts.

Hermaphrodite and Dog in a Carnival Trailer, Maryland, 1970

No fim dos anos sessenta Arbus entrou nos asilos e hospitais e fez dos velhos, doentes e anormais seus modelos. Nos retratos “untitled” vê-se todo tipo de tragédia humana que nos chocam enquanto seduzem o mórbido que habita em cada ser humano. É desta época os perturbadores retratos com máscaras grotescas. Se, como afirma outra fotógrafa famosa, Dorothea Lange “cada retrato de outra pessoa é um auto-retrato” as fotos de Diane Arbus são o seu duplo, o reflexo de uma alma atormentada à beira do horror.

A Husband and Wife in the Woods at a Nudist Camp, New Jersey, 1963

Quando no auge de sua carreira, a fotógrafa se suicidou ingerindo barbitúricos e cortando os pulsos em 26 de julho de 1971. Em 1972 John Szarkowski concebeu uma exposição retrospectiva do trabalho de Diane. O catálogo da exposição tornou-se num dos mais influentes livros de fotografia. Desde então, foi reimpresso 12 vezes e vendeu mais de 100 mil cópias. A exposição do MoMa viajou por todo o país e foi vista por 7 milhões de pessoas. No mesmo ano, Arbus tornou-se a primeira fotógrafa americana a ser escolhida para a Bienal de Veneza. Em 2007 estreou o filme ‘A Pele’, com Nicole Kidman, baseado na vida da fotógrafa.

Boy with a straw hat waiting to march in a pro-war parade, New York, 1967