Regra dos terços

Você já reparou no logotipo da nossa escola, a Áurea Fotográfica? É o desenho da espiral áurea que serve como base para a composição da arte clássica, seja pintura, escultura ou até mesmo arquitetura.

Áurea fotográfica

Uma simplificação dessa proporção dourada para tornar a composição mais fácil é a regra dos terços.

O LULI RADFAHRER, um dos professores mais conceituados da USP, diz que a câmera fotográfica não é uma arma para você mirar bem no centro de  algo e atirar. Portanto, a regra básica para conseguir boas composições é: não centralize! Desloque seu objeto de interesse para um dos cantos da imagem.

avião na mira!

Veja a foto acima do avião. Acho que o autor queria derrubá-lo, e o pior é que ele é bom de mira. Centralizou direitinho o avião! Mas com isso, errou feio na composição.

Ainda segundo o Luli, a simetria é algo óbvio, estático e previsível. Por isso temos que fugir da centralização para promover o dinamismo na imagem.

regra dos terços

A regra dos terços é muito simples, com duas linhas imaginárias, divida a imagem em três partes iguais tanto na vertical quanto na horizontal. Procure colocar os objetos principais da sua foto em uma dessas linhas ou na intersecção delas, onde são os focos de interesse, como mostra o esquema acima.

Veja o seguinte exemplo:

Plaza del Ayuntamiento, Valencia, Espanha

Os principais focos de interesse nessa foto são: o velhinho e o sol. Perceba como eles estão posicionados sob as linhas que dividem os terços verticais da imagem. Ainda, continuando a composição, podemos ver a linha do horizonte sob  a linha que delimita o terço inferior. Esses elementos foram parar aí por sorte? Claro que não! O enquadramento e o ponto de vista do fotógrafo foram ajustados para que cada elemento de interesse ficasse em uma das linhas que dividem os terços.

Cristiane Frolini

Veja este segundo exemplo acima que é menos evidente. Os focos de interesse que são os seios, a mão e o rosto não estão exatamente sob as linhas que dividem os terços. Mas a regra continua sendo respeitada: os seios e a mão estão no terço inferior da imagem e o rosto está no terço superior esquerdo. Deu pra perceber que existe uma tolerância para deslocar os elementos um pouco pra lá ou pra cá. Eles não precisam ficar exatamente sob as linhas.

barbie

Quando fazemos um retrato, o foco de interesse está na cabeça. Então, atenção a ela! Monte a composição de modo que a cabeça do retratado esteja sob uma das linhas verticais. Se ela estiver numa intersecção de uma vertical com uma horizontal, melhor ainda. De modo geral, a imagem fica melhor quado o espaço livre da imagem (o fundo) está do lado para o qual a pessoa retratada está olhando. Neste exemplo acima, como a cabeça da Barbie está ligeiramente virada para a esquerda da imagem, foi deste lado que o espaço apareceu. Assim parece que a pessoa tem mais ar pra respirar e também não dá a sensação que que ela está olhando fixamente contra uma parede.

composição rosto

Já, quando fotografamos um rosto, os pontos de interesse são os olhos e a boca. Portanto, atente para as posições deles na imagem. Confira como isso foi feito no exemplo acima: os olhos no terço superior; a boca no terço inferior; toda a cabeça no terço direito e o fundo (o vazio da imagem) mais do lado para o qual o rosto está virado.

Anda com relação à regra dos terços devemos pensar o seguinte. O que está no alto da imagem nos traz a sensação de leveza, movimento, alegria, espiritualidade, céu. Enquanto que tudo que está abaixo nos dá a sensação de peso, descanso, estabilidade, tristeza, solidez, terra. Assim, quando for compor a imagem, pense naquilo que você quer transmitir ao observador. Observe os exemplos abaixo.

composição avião pássaro

Voltando à nossa primeira imagem do avião. Perceba como ela ficou melhor enquadrada desta maneira. Assim, temos a sensação de que o avião voa mais alto. Já na imagem ao lado, como o passarinho está pousado num galho, ficou melhor enquadrá-lo no terço inferior da imagem, assim temos a sensação de que ele descansa tranquilo.

Pra terminar veja esses dois últimos exemplo:

composição caminhando

As duas fotos ao lado foram feitas a partir de uma mesma imagem, porém perceba como elas são diferentes. Na primeira, como temos mais imagem na frente do homem, temos a sensação de que ele está chegando, entrando na história que a foto conta. Já na segunda imagem, como temos mais fundo atrás do homem, temos a sensação de que ele está indo embora, está saindo da nossa história.

Concluindo, a regra dos terços serve para inserir o elemento principal da foto num contexto, inserir o personagem numa história, relacionar os diferentes planos da imagem e guiar o olho do obsevador. Essa regra é excelente e funciona para a grande maioria das imagens. Até dá pra fazer boas composições fugindo disso, mas o que ninguém pode negar é que a regra dos terços nunca falha.

A regra dos terços é a primeira ensinada quando se fala de composição da imagem fotográfica. Mas ela não é a única. A Escola de Fotografia Áurea Fotográfica dá muita importância à composição da imagem. Queremos que nossos alunos desenvolvam o olhar para fazer fotos harmoniosas e criativas. Acesse o site da escola para conhecer nossos cursos: www.aureafotografica.com.br

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Crie hierarquias e planos

A Escola de Fotografia Áurea Fotográfica sempre instiga seus alunos a pensar a composição de suas fotos de maneira mais sofisticada. Trabalhar com planos na fotografia faz com que a imagem bidimensional ganhe uma sensação de profundidade. Além disso, a foto ganha uma maior elaboração na interação entre os diferentes planos, o que torna o assunto muito mais rico e contextualizado.

Toda história tem personagens principais e secundários. Faça o mesmo em suas fotos, crie uma hierarquia de leitura. Construa composições com diferentes planos: coisas que aparecem mais à frente e outras mais ao fundo; planos focados e desfocados; objetos iluminados e outros na penumbra. A intenção é fazer com que a foto ganhe profundidade e o observador passe mais tempo apreciando a imagem e relacionando os elementos uns com os outros. Além do personagem (ou objeto) principal,  inclua outros secundários que vão  contextualizando a cena tornando a história da foto mais elaborada. Procure ângulos para valorizar a profundidade da foto. Mas tome cuidado com a disposição desses novos elementos, eles devem complementar o assunto princial e não competir com ele. Assim, tome cuidado para que os elementos não se sobreponham de modo a dificultar a visualização um do outro. Veja os exemplos a seguir.

Foto de Sergi Bernal

Quem você vê primeiro? E depois? E num terceiro momento? Esta imagem é rica por seus múltiplos planos. A personagem principal dessa foto obviamente é a menina que pula corda. Mas num segundo momento vemos seu pai que está mais ao fundo batendo a corda. Em terceiro lugar vemos mais crianças fazendo uma fila para também pular corda. E se nos atentamos mais ainda vemos que há pessoas ao fundo passeando pela praça. Perceba quantos elementos existem nessa foto que compõem o ambiente alegre e descontraído de um dia de lazer. O mais importante é que todos esses elementos se complementam sem competirem por atenção. Eles estão dispostos na imagem de maneira clara de modo a guiar o olhar do observador sem conturbá-lo. Além de tudo isso, essa foto chama a atenção pelo ponto de vista do fotógrafo, é como se ele estivesse inserido na brincadeira, a visão de baixo para cima faz o salto da menina parecer mais emocionante, mais alto.

Foto de Marcos Arruda

Fotografias macro são sempre interessantes, pois nos permitem ver detalhes que a olho nu passam desapercebidos e sempre ficamos facinados com a beleza das coisas diminutas. Essa imagem em questão tem uma doçura que abre o sorriso de qualquer observador. A foto apresenta uma hierarquia de planos: um focado e outro não. Temos a contraposição de dois extremos, um plano rico em detalhes e nitidez e outro em situação oposta. O intrigante dessa foto é que ela nos traz um interessante jogo de quem é o personagem principal, a formiga ou o garoto?

xadrez

Na foto acima vemos outro exemplo de planos focados e desfocados. Contudo, diferente da imagem anterior, nesta, as peças de xadrez que em primeiro plano estão desfocadas. As que estão mais ao fundo, num terceiro plano, também. Um artifício simples e que deixa a imagem muito mais interessante!

paisagem

Veja este exemplo que bonito. Temos na paisagem múltiplos planos. Atente para o cuidado do fotógrafo não deixar os mourões das cercas se sobreporem para não confundirem o observador. Perceba também a gradação de desfoque e contraste que o fotógrafo fez para protagonizar a cerca em primeiro plano, onde está o pássaro.

silhueta

Clássico exemplo de contraluz. Da moça em primeiro plano vemos somente a silhueta. Já a noção de profundidade é conferida pela gradação de cinzas que evidencia os diferentes planos das paredes.

Em suma, como já foi dito em outro tópico, fazer uma foto é contar uma história. Conte a sua com desdobramentos além do objeto principal; relacione seu personagem com outros secundários; atente para o que está no fundo; brinque com o desfoque e a luz para mostrar e esconder o que lhe convém.

Gostou dessa dica? Com certeza, se você criar imagens com múltiplos planos, suas fotos vão ficar muito mais interessantes e vão parecer mais profissionais. O que apresentamos aqui é só uma amostra dos conceitos abordados nos cursos de fotografia da Áurea Fotográfica. As questões da linguagem fotográfica são abordadas desde o curso básico de fotografia e vão se tornando mais elaboradas no curso intermediário e avançado que a escola oferece. Se você quiser aprender muito mais, ter suas fotos analisadas pelos professores para que possa receber dicas específicas para o seu aprimoramento, venha estudar conosco. Acesse nosso site para mais informações: www.aureafotografia.com.br

Apresente um novo olhar sobre o já conhecido

A Escola de Fotografia Áurea Fotográfica traz mais uma dica bacana para melhorar suas fotos. É tudo uma questão de pensar no conceito que você quer transmitir e ser criativo em buscar um novo ponto de vista.

Uma foto para ser boa, além de conter uma história, deve também despertar alguma sensação no observador. Uma boa imagem nunca passa desapercebida, ela pode despertar admiração e prazer ou repulsa e tristeza, mas o observador deve ser tocado por ela de alguma maneira.

De modo geral uma boa foto deve causar no observador uma empatia que advém de alguma lembrança despertada pela imagem. Aquilo que trazemos em nossa memória sempre vem acompanhado de algum sentimento. Uma pessoa, quando relaciona uma foto com alguma lembrança da infância, com uma viagem ou até mesmo com traumas e conflitos, desenvolve uma empatia muito maior pela imagem, pois esta o toca no íntimo dos seus sentimentos. Aquilo que é completamente desconhecido não é relacionado com nenhuma memória e, portanto, pode ser descartado rapidamente sem que nenhuma atenção seja dada. Quando vamos a um show, por exemplo, ficamos muito mais animados quando a banda toca os velhos sucessos conhecidos do que as músicas do novo CD. Isso porque as músicas já conhecidas são associadas à lembranças e momentos marcantes na vida de cada um.

Com a fotografia acontece o meso. Devemos mostrar ao observador uma cena que ele já conheça para que ele crie empatia pela imagem. Contudo, ver uma foto igual a milhares de outras que já vimos antes não traz nada de novo e não desperta nenhum sentimento senão tédio, assim como ficamos enjoados ao ouvir a mesma música dezenas de vezes no rádio. Dessa maneira, uma foto, para despertar interesse deve apresentar um novo olhar sobre algo que já é conhecido. Veja os exemplos abaixo.

Calçadão de Copacabana

A imagem da esquerda não chama a atenção, pois é só mais uma foto no calçadão de Copacabana tirada num dia qualquer com pessoas anônimas. Ela não apresenta nenhum requinte estético de enquadramento, de cor ou de luz. A impressão que temos é que o fotógrafo fez a foto sem pensar muito em qual era sua intenção. Neste caso o prazer do fotógrafo, como diz Serge Tisseron no livro “El misterio de la cámara lúcida”, está simplesmente no ato de fotografar, basicamente apertar o botão, e não de apreciar a foto. Muitas vezes as pessoas sequer olham as fotos que fizeram.

Já a foto da direita é mais interessante, pois demonstra um planejamento, uma intenção que vai além do simples registro do momento. Ademais de apresentar uma calçada a partir de uma vista diferenciada, a foto ainda brinca com a composição geométrica e cromática das faixas. É possível fazermos uma relação entre composição visual e composição musical, já que o personagem toca um violão. Perceba como a foto se enriquece quando apresenta significados além dos triviais.

Cristo Redentor

A mesma situação acontece com essas duas fotos do Cristo Redentor. A imagem da esquerda, apesar de tecnicamente boa, não apresenta nenhuma novidade, é uma típica foto de turista que serve pra dizer “eu estive aqui” e nada mais. Estamos cansados de ver imagens iguais a essa. Já a foto da direita, apesar de muito simples, é bem mais interessante pois a estátua do Cristo entrou em um contexto simbólico relacionando luz, sombra, névoa e santidade. É como se as pessoas estivessem no céu, por entre as nuvens e o sol por detrás da cabeça da estátua lhe conferisse um ar divino, remetendo à aureola dos santos. O jogo de luz e sombra ainda brinca com a relação entre humanos e a santidade. Não se pode identificar a personalidade das pessoas, elas são mortais e pecadoras e, por isso, aparecem em negro. Já o Cristo surge por entre a névoa, como uma aparição divina. Além disso, há um jogo com diferentes planos, um sujeito de boné em primeiríssimo plano, um grupo de turistas num segundo plano e, finalmente, a imagem do Cristo entre a névoa translúcida ao fundo.

Gostou dessa dica? Essa é só uma entre muitas abordadas nos cursos de fotografia da Escola de Fotografia Áurea Fotográfica. Em nossa escola o aluno não aprende só a técnica de manusear a câmera, mas aprende também sobre os conceitos da linguagem fotográfica para produzir imagens muito mais bonitas e impactantes. Quer melhorar suas fotos? Venha estudar conosco! www.aureafotografica.com.br