Enquadramento e recorte da imagem

Quando vamos pesquisar sobre enquadramento em fotografia sempre encontramos aquela velha lista de tipos de enquadramendo, tais como: plano geral, plano americano, primeiro plano e plano detalhe. Isso é muito bom quando vamos fazer, por exemplo, um roteiro de um vídeo ou um briefing de uma foto para uma campanha publicitária, pois esses nomes facilitam a conversa entre os profissionais que trabalham nessa área. Contudo, para quem quer apenas aprender dicas de fotografia para o uso no dia-a-dia, essas classificações de enquadramento não ajudam muito. O importante neste caso é saber como podemos cortar nossas fotos e, para isso, existem algumas regras simples a serem seguidas. Como em toda regra existe exceção, você pode conseguir boas fotos fugindo das dicas apresentadas aqui. Mas, em caso de dúvida, siga o roteiro deste post e tenha a garantia de não errar no enquadramento.

Recorte do Corpo

A dica aqui é muito simples: nunca corte o corpo de uma pessoa nas articulações. Ex: joelho, punho, cotovelo, tornozelo, etc. Isso faz a pessoa parecer amputada, maneta, perneta…

Para fugir a essa desagradável sensação a dica é sempre cortar o corpo entre as articulações. Assim, é permitido cortar no meio da perna, no meio da coxa, no meio do antebraço e no meio do braço. É claro que quando eu digo no meio, isso não significa exatamente no meio do membro. Pode ser um pouquinho pra cima ou pra baixo. O importante é nunca ser na articulação.

No caso da barriga, corte acima ou abaixo do umbigo, mas nunca exatamente sobre ele. A mesma regra serve para os mamilos. Abaixo é mostrado um diagrama de onde os cortes podem ser feitos (em verde) e onde não devemos cortar a foto (em vermelho).

corte corpo

Veja os exemplos a seguir, na primeira foto o modelo foi cortado no meio da coxa; já na segunda foto, temos um enquadramento mais ousado, em que a modelo foi cortada em diversos locais. Contudo, observe que em nenhum momento fugiu-se a regra. Os corte foram feitos todos entre as articulações dos membros.

Recorte da cabeça

Existe a ideia de que uma foto bem feita é aquela em que não se corta a cabeça do modelo. Bobagem! Pode-se cortar a cabeça a vontade, desde que se corte nos locais certos. Para isso, a regra é muito simples. Podemos cortar a cabeça nos seguintes locais: topo da cabeça; meio da testa; meio do nariz; entre o nariz e a boca; e meio do queixo. Em outras palavras, só não podemos cortar a cabeça na altura dos olhos e da boca. Veja os seguintes exemplos:

Abaixo temos uma foto muito clássica. Perceba que o corte no topo da cabeça não prejudica a imagem. Contudo, o corte na cabeça só faz sentido se a pessoa estiver enquadrada em primeiro plano, ou seja, preenchendo toda a imagem. Note que nesta foto os ombros também foram cortados. Não teria sentido fotografar a pessoa de corpo inteiro só com o topo da cabeça cortada.

Neste segundo exemplo a modelo foi cortada na altua da testa. A imagem continua bastante natural. De novo, só faz sentido cortar a testa desta maneira se a pessoa estiver enquadrada em primeiro plano.

Neste terceiro exemplo, o enquadramento está bem mais fechado. Perceba que as modelos tiveram seus rostos bastante cortados. Contudo, os olhos e a boca foram preservados.

Neste quarto exemplo já temos um plano detalhe. Não vemos o rosto todo da modelo. Entretanto, perceba que o corte da imagem não foi feito a esmo. O rosto foi cortado no meio do nariz e os braços foram cortados entre as articulações.

Por fim, temos um exemplo de plano bem fechado. A boca até foi cortada no canto esquerdo, mas isso não compromete a imagem, já que a regra de não cortar a boca se refere a cortá-la horizontalmente na linha de divisão dos lábios.

Recorte da cena

Existe uma diferença enorme entre deixar os objetos da cena aparecerem inteiros na foto ou deixá-los vazarem para fora da imagem. Neste caso não existe certo e errado, tudo depende da intenção que você tem com a foto. No geral, o que posso dizer é que, se tratando de um cenário, o melhor é cortar os objetos que aparecem nos cantos da foto. Assim, temos a impressão de que o cenário continua além da imagem, ou seja, de que ele é grande. Caso contrário, se enquadramos todos os objetos inteiros na foto, fica evidente de que o cenário é só aquilo que aparece, o que pode dar uma sensação de pobreza ou pequenez.

Veja esse primeiro exemplo acima. Perceba que todos os objetos estão cortados: o livro, o abajur, a janela com a cortina e o rapaz dormindo. Isso dá a sensação de que o quarto é grande, de que existem outras coisas fora da foto que não foram mostradas. Ainda temos a sensação de que a mesa sobre a qual está o livro também é grande e que devem existir outros objetos ali além do livro. Além disso, cortar o livro e o abajur, dá a impressão de que esses objetos estão mais próximos e a cena, neste caso, fica dividida em dois planos distintos: o primeiro onde estão os personagens de brinquedo e o segundo onde está o rapaz.

Neste segundo exemplo vemos uma pessoa atacando a geladeira de madrugada. Perceba que nenhum alimento aparece por inteiro na foto com excessão dos potes que estão na porta da geladeira. Cortar os alimentos em primeiro plano faz parecer que tem mais comida na geladeira, que tem tanta comida que nem coube na foto.

Por fim, veja esse exemplo de Pierre et Gilles. O conjunto de rosas que rodeia o modelo se extende para além da foto. Isso faz parecer que existe um número muito maior de flores, porque não sabemos até onde elas vão. Contudo, podemos intuir que, na verdade, as rosas não eram tantas assim, pois não teria necessidade encher o cômodo todo de rosas para tirar a foto, se só com um pouco já conseguimos o efeito desejado apenas com base no enquadramento.

Para finalizar, no momento de fazer o recorte da imagem pense também na harmonia da composição. Para tanto, a regra dos terços é bastante útil.

Gostou das dicas? Quer aprender muito mais e deixar suas fotos incríveis? A Escola de Fotografia Áurea Fotográfica acredita que a composição da imagem é crucial para uma foto bonita. Não basta apenas saber manusear a câmera, é preciso desenvolver o olhar, por isso damos tanta importância na linguagem fotográfica. Nossos professores são capacitados e sabem analisar as fotos dos alunos para mostrar no que eles acertaram e no que podem melhorar mais. Essa consultoria é essencial para um bom aprendizado. Venha estudar conosco e ver como suas fotos vão dar um salto em qualidade. Acesse o site da escola para conhecer nossos cursos: www.aureafotografica.com.br

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Fotografia e Arte

Quando a fotografia surgiu em 1826 muito se discutiu a respeito do seu valor artístico. Diziam que a imagem era feita pela máquina e não pelo fotógrafo. Muitos teóricos da época, incluindo Baudelaire, um dos mais expressivos representantes da cultura francesa, negavam publicamente a fotografia como forma de expressão artística, alegando que “a fotografia não passa de refúgio de todos os pintores frustrados”. Ou seja, aqueles que não sabiam pintar recorriam à fotografia por esta ser um procedimento puramente técnico que não exigia nenhum dom artístico.

A fotografia como um novo advento que permitia a representação fiel da realidade conturbou o mundo cultural e artístico europeu. Acreditavam que a fotografia substituiria a pintura e o desenho. Segundo o filósofo Walter Benjamin “já se haviam gasto vãs sutilezas em decidir se a fotografia era ou não arte mas, preliminarmente, ainda não se haviam perguntado se esta descoberta não transformaria a natureza geral da arte”.(Freund, 1982)

De fato, o surgimento da fotografia alterou drasticamente o mundo da arte. Por um lado, o surgimento da fotografia fez com que a pintura procurasse outras formas de interpretação da realidade. Assim, a pintura sentiu-se obrigada a produzir imagens que a câmara fotográfica não conseguia registar. Como exemplos extremos podemos citar o cubismo e o expressionismo com suas imagens bizarras e completamente descoladas da representação fidedigna da realidade. Veja os exemplos abaixo:

 

Abordagem pictórica: a imagem tem valor por si só

Tem muita foto que não precisa trazer mensagem alguma, só a beleza da imagem já lhe basta. Na verdade é muito difícil uma imagem que não traga um conceito por trás, já que toda foto é feita dentro de um contexto, de uma determinada época. Contudo, esse conceito pode ficar em segundo plano quando o valor da imagem é mais visual do que teórico.

 A supremacia da luz

A fotografia é por excelência o meio de produção que trabalha com a luz e a sombra. Assim, fotos que exploram bem esse jogo luminoso e cromático tendem a impressionar pela beleza visual. Dentro dessa categoria, gosto de destacar as fotos feitas em estúdio, cuja iluminação é cuidadosamente montada. Mas também é possível se obter excelentes imagens ao ar livre se as condições luminosas são propícias. Veja os exemplos abaixo feitos por Edward Weston. A princípio são objetos banais, como pimentões ou verduras, mas perceba como esses elementos ganham uma beleza especial quando bem iluminados.

Veja esse outro exemplo de Robert Mapplethorpe. A iluminação valoriza a musculatura e os contornos do corpo do modelo. Está certo que o modelo tem um corpo bonito, mas com certeza essa foto seria muito mais sem graça se não fosse essa luz bem montada. Isso mostra que a beleza da imagem está antes na luz do que no próprio modelo.

Ainda se falando de iluminação, não podemos deixar de citar as fotografias em HDR, uma técnica fotográfica muito recente, surgida com a tecnologia digital. HDR é a sigla em inglês para High Dynamic Range. Isso quer dizer que uma fotografia em HDR apresenta muito mais detalhes na variação da luz desde as sombras mais escuras até as áreas mais claras da imagem. Numa foto normal, se regulamos a câmera para captar bem as altas luzes, perdemos os detalhes nas áreas de sombra, ou seja, as sombras ficam muito escuras. Já, se regulamos a câmera para as áreas mais escuras, as altas luzes estouram, ficando tudo muito branco. Com a técnica HDR eliminamos esse problema, já que com ela nós obtemos uma imagem a partir de, pelo menos, três fotografias do mesmo objeto só que com regulagens diferentes para a captação da luz. O resultado final é uma imagem, por vezes estranha, mas muito interessante. Veja alguns exemplos de fotos em HDR e perceba a magia desse efeito luminoso:

Se quiser saber mais detalhes sobre HDR, veja esse excelente link: http://www.dicasdefotografia.com.br/o-que-e-hdr-por-que-usar-essa-tecnica

A cor predominante

Ainda se tratando de luz, não podemos deixar de falar da cor. Afinal, as cores são obtidas por diferentes comprimentos de onda dos raios luminosos. Contudo, quando trabalhamos com a cor, todo um novo universo de possibilidades se abre à nossa frente. É possível se fazer excelentes fotos usando apenas as cores como objeto de interesse. Nesse caso, saber combinar as cores é fundamental para uma boa composição. Muitas vezes essa mistura já vem pronta no mundo, basta sabermos aproveitar a ocasião. Veja os exemplos abaixo. Os objetos fotografados continuam reconhecíveis, mas não são eles que chamam a atenção e sim suas cores.

A força da forma

Mas não é só de luz que se faz uma foto. Afinal, 99,9% do que fotografamos é matéria. E toda matéria tem forma e volume. Sabendo combinar esses elementos conseguimos boas composições utilizando as linhas, as superfícies e as texturas. Pensar na composição da imagem através do uso de pontos, linhas e superfícies é tão importante que Kandinsky dedicou um livro inteiro sobre o tema: Ponto e linha sobre o plano.

Quando fotografamos pensando nesses elementos pictóricos, tais como as forças das linhas, o equilíbrio das formas e a textura dos objetos, estamos raciocinando a imagem fotográfica como um desenho. Para tanto é preciso seguir os ensinamentos do conceituado pintor Cezane, ou seja, reduzir os objetos do mundo nas suas formas mais primitivas. Assim, uma maçã torna-se uma esfera; uma garrafa torna-se um cone; um celular se torna um cubo e assim por diante. Daí a questão é só pensar na composição desses objetos como uma composição geométrica em que os objetos devem ser distribuídos de maneira a criar harmonia e equilíbrio. Isso pode parecer estranho a primeira vista, mas pode-se tornar natural com a prática.

Além disso, quando pensamos em composição de objetos nas imagens, podemos considerar alguns preceitos da Gestalt, ou seja, pensar na repetição das formas, nos agrupamentos, no contraste entre as linhas retas e curvas e na relação da figura com o fundo da imagem.

Um movimento fotográfico que levou em conta essas considerações foi o Modernismo Fotográfico no Brasil. Os fotógrafos desse grupo, inspirados pelos movimentos concretista e pelo construtivismo russo, abusaram das formas geométricas, das linhas e das repetições de padrões em suas imagens. Dentre os fotógrafos mais importantes desse movimento podemos destacar: José Oiticica Filho, Marcel Giro, German Lorca, Thomaz Farkas, José Yalenti e Geraldo de Barros.Veja alguns exemplos de fotos do modernismo brasileiro:

Ainda com relação à questão de composição, veja esse outro belo exemplo menos evidente realizado por Herb Ritz. Perceba a beleza das linhas sinuosas do corpo da modelo e do corte do vestido, assim como a harmoniosa forma do tecido esvoaçante. Tudo isso composto com um fundo claro, limpo e de linha reta.

 Abordagem conceitual: as mil palavras de uma imagem

Dizemos que uma foto é conceitual quando ela traz consigo uma mensagem, uma ideia, ou seja, quando a foto extrapola o campo da imagem pura e se relaciona com outras questões filosóficas, poéticas, sociais ou históricas.

A foto como prova documental

De acordo com a semiótica, a fotografia, é por natureza um índice. Ou seja, uma foto é um registro de algo que realmente ocorreu. Por exemplo: se uma pessoa foi registrada numa foto é porque essa pessoa realmente existiu; se um casamento foi clicado por um fotógrafo, é porque essa cerimônia realmente aconteceu. Isso pode parecer óbvio, mas é justamente esse caráter indicial da fotografia que a diferencia da pintura ou do desenho. Um pintor, por exemplo, pode inventar uma paisagem ou um personagem, mas um fotógrafo (a princípio) não, ele se baseia na realidade, no fato existente. É nesse contexto que estão incluídas as fotos históricas, documentais e sociais. São fotos que tem como valor registrar a existência das coisas, as transformações causadas pelo tempo e a diversidade da cultura humana.

Mas como uma foto que apenas registra um fato pode ter um valor artístico? Pelo simples motivo que nenhuma foto é inocente! Toda foto carrega o ponto de vista do fotógrafo. Ao enquadrar a imagem o fotógrafo está decidindo o que ele quer mostrar e o que quer deixar de fora da imagem. Assim, um mesmo acontecimento pode ser registrado de diferentes maneiras por diferentes fotógrafos. Cada um inclui na sua foto os seus valores, suas convicções, seu ponto de vista, sua opinião e, também, sua poética. São esses elementos que fazem os fotógrafos buscarem uma linguagem própria dentro da fotografia. Assim como na literatura cada escritor tem seu estilo de escrever, na fotografia cada fotógrafo tem seu jeito de olhar para as coisas.

No rol de fotógrafos que trabalham nessa temática podemos destacar grandes nomes como Sebastião Salgado, Claudia Andujar, Cartier Bresson e muitos outros.

Sebastião Salgado, por exemplo, é conhecido mundialmente por suas fotos que trazem uma crítica à exploração do trabalho e às desigualdades sociais. Veja um belo exemplo que esse fotógrafo desenvolveu com o tema “Trabalhadores”, registrando as condições de trabalho de pessoas menos favorecidas.

Claudia Andujar, por sua vez, tem como temática o registro do modo de vida de povos indígenas da Amazônia. Além de ser um belo estudo antropológico, o trabalho dessa fotógrafa é importante para não deixar se perder no tempo a cultura de um povo tão ameaçado em desaparecer.

Cartier Bresson, pautado no seu lema do “instante decisivo” dizia que para se obter uma boa fotografia era preciso saber o momento exato de dar o clique. Baseado nesse preceito, ele registrou de maneira primorosa acontecimentos no início do século passado. Suas fotos registraram fatos reais no momento do ápice de seu acontecimento e, por isso, ademas de surpreenderem pelo inusitado da situação, também nos serve como documento do estilo de vida daquela época.

Contudo, uma foto documental não necessita de grandes eventos, lugares ou pessoas exóticas para ter valor. A foto documental pode ser feita no nosso meio social, no nosso bairro. Registrar a arquitetura do bairro, o modo de vida das pessoas, o caminho que fazemos para ir pra escola ou trabalho, as transformações que a paisagem urbana sobre com o passar do tempo. Todo lugar, toda sociedade, toda comunidade é digna de ser fotografada porque é única no mundo. Podem até existir outras parecidas, mas não serão idênticas, e o mais importante, não serão as mesmas. Veja que lindo registro de um simples fato do cotidiano:

Fotografia: ser em vez de representar

Quando pensamos no valor de uma fotografia sempre a relacionamos como o registro de algo do mundo. Assim, uma foto pode ter um valor histórico por registrar uma época passada; pode ter um valor sentimental se for um retrato de uma pessoa amada ou pode ter um valor documental se for, por exemplo, a prova de um crime cometido.

Contudo, uma maneira interessante de pensar a fotografia é não tê-la como representação de algo (como cópia da realidade), mas alçá-la no lugar desse algo. Isso pode se dar de duas maneiras: na primeira, a fotografia, por ser um objeto físico (um pedaço de papel), é por si só parte da realidade e pode, portanto, ser ícone de si mesma. Na segunda maneira, a fotografia pode carregar tão intrinsecamente a referência daquilo que ela retrata que deixa de ser uma representação para tornar-se um ícone desse objeto ou pessoa. Ou seja, a fotografia deixa de ser uma simples imagem da coisa retratada para tornar-se um objeto independente que pode ser colocado no lugar dessa coisa. Parece complicado? Veja esses dois exemplos abaixo para entender melhor.

Andy Warhol foi talvez o artista mais conhecido da Pop Art americana. Não há quem não conheça suas obras com imagens da Marilyn Monroe, por exemplo. Marilyn foi um ícone do cinema americano. Contudo, esse trabalho de Andy Warhol é tão conhecido quanto a própria atriz. Assim, essa obra de Warhol é um ícone dele próprio e do movimento artístico ao qual ele pertenceu em meados do século passado. Essa imagem da Marilyn Monroe foi tão divulgada que já faz parte do imaginário popular e, portanto, dispensa explicação. Além disso, as obras de Warhol são na verdade serigrafias produzidas a partir de fotografias retiradas de revistas e jornais. Nesse sentido, o trabalho desse artista pop discute o próprio valor da fotografia como meio de divulgação da imagem e a sua característica reprodutível. Ou seja, é da natureza da fotografia permitir indefinidas cópias da mesma imagem. É justamente nesse ponto que Warhol toca quando reproduz dezenas de vezes a foto de Jacqueline Kennedy, por exemplo.

Outro exemplo de trabalho artístico que explora a iconicidade da fotografia é o realizado pelo fotógrafo paraense Alexandre Sequeira. Em seu trabalho Sequeira fotografa moradores de uma pequena vila, às margens do rio Mocajuba, no Estado do Pará. Depois de feitos os retratos, as imagens são transferidas em tamanho natural para toalhas de mesa, cortinas e lençóis pertencentes às pessoas fotografadas. Esses tecidos são, então, colocados de volta na casa de seus donos. Temos aqui um trabalho muito poético no qual a imagem de uma pessoa é gravada em algum tecido pertencente a ela. Como esse tecido fez parte de sua vida, ele está impregnado da existência dessa pessoa, está manchado pelo uso durante anos, ou seja, carrega consigo a história e a presença de seu dono.

Nunca imaginei que minha cortina fosse tão parecida comigo“, exclamou dona Benedita ao ver-se retratada no antigo tecido de sua casa.

A beleza e o interesse do trabalho de Sequeira se dá ao colocar de volta na casa da pessoa a imagem estampada no tecido usado. Com esse ato, o artista não coloca simplesmente a imagem da pessoa na casa dela. O tecido, por pertencer ao fotografado e carregar em si a história de seu dono, é a própria essência da pessoa que retorna ao lar. Assim, podemos dizer que o tecido não é a representação da pessoa, mas está ali no lugar dela, é a sua presença latente. De acordo com Chiodetto, um crítico de arte, “mais que atestar a presença das pessoas em um determinado lugar, as peças reapresentam, entre estampas, manchas acumuladas e a serigrafia sobreposta, delicadas tramas que falam de identidade e memória, esta última indelevelmente associada ao tempo“.

Sobre o tempo e o não-tempo

Quando se vai estudar sobre a filosofia da fotografia inevitavelmente se chega no tema da morte e da eternidade. São vários os autores que tratam desse assunto. Essas questões complexas, a princípio parecem fugidias, difíceis de serem entendidas. Mas quando nos debruçamos sobre elas e nos permitimos ser tocados por esses temas tão profundos, vamos sentindo um novo mundo se abrindo e nunca mais vemos uma foto da mesma maneira, com a mesma ingenuidade que tínhamos antes.

Como já havia dito antes, a fotogarfia é um registro de algum fato que aconteceu. Roland Barthes, um importante estudioso da fotografia, disse que a fotografia é o registro do “isso aconteceu”. Ou seja, quando vemos uma foto, temos a certeza de que aquele episódio ali mostrado realmente se sucedeu. Contudo, o passado é um tempo morto, é um tempo que não volta mais. Sendo assim, a fotografia é o registro de algo morto. Além disso, a fixidez, a imobilidade e o silêncio da imagem fotográfica também nos remete ao tema da morte. Veja o que Lucia Santaella disse a respeito disso: “Diferentemente do cinema, da televisão e do vídeo, que, graças ao movimento, guardam a memória dos mortos como se estivessem vivos, fotografias, devido à imobilidade, fixidez, que lhes são próprias, guardam a memória dos mortos como mortos.”

Por outro lado, se a imagem fotográfica registra um tempo morto, ela também guarda aquele instante passado pelo resto da eternidade. A imagem fotográfica fixa, estável, congelada, imutável, disponível para sempre, nos dá uma espécie de posse sobre o objeto fotografado, algo que pode ser conservado e olhado repetidas vezes.

Num outro nível, ainda mais metafórico, o instantâneo fotográfico, assim como a morte, “é um sequestro de um objeto para um outro mundo. Também como a morte, a tomada fotográfica é imediata e definitiva”. Contudo, “o outro mundo” em que o objeto fotográfico é tragado não é apenas o da morte do instante capturado, mas o de um outro tempo, de duração infinita na imobilidade total, interminável, imutável, perpétuo, eterno. Na petrificação fotográfica não está apenas a imobilidade mortífera, mas também a eternidade latente e indestrutível. Em outras palavras, de modo até mais sublime, quando falamos de morte e eternidade na fotografia, na verdade estamos falando do tempo. O tempo que se passou no momento em que a foto foi tirada; o tempo eternizado na imagem; o tempo que dura a fotografia (pois um dia ela pode se estragar) e o tempo que alguém pode se deter observando essa foto (neste caso, sempre um tempo presente).

São inúmeros os artistas que trabalham a questão do tempo (e da morte) na fotografia. David Hockney é apenas um deles. Por um período, seu trabalho fotográfico consistiu em registrar uma cena usando não apenas uma fotografia, mas um conjunto delas que depois eram justapostas para reconstruir aquele tempo passado. Com este trabalho o artista conseguia esticar o instante fotográfico para o tempo em que durasse a sessão de fotos. Como os modelos fotografados estavam em constante movimento, a cada clique o fotógrafo registrava uma pose diferente. Ao se juntar todas as fotos esses instantes se fundem criando um contínuo de tempo e movimento. Temos aqui uma ambiguidade, cada foto tem seu instante, o conjunto todo tem seu período, mas o que se vê é estático. Temos frações de segundos, registrados a cada clique, que na verdade não correspondem ao tempo exato da imagem e os personagens estão congelados num movimento eterno.

A fotografia cria novas possibilidades

Não tem como, sempre que falamos de fotografia estamos falando do registro da realidade. Mas será que deve ser sempre assim? Não poderia a fotografia inventar novas realidades, propor novos mundos, situações improváveis e personagens fantásticos? Claro que sim! Ainda mais com o advento da tecnologia digital e dos recursos do photoshop. Aliás, atualmente, a manipulação digital da imagem é tão comum que dispensa até mesmo qualquer exemplificação nesse texto.

Mas, mesmo muito antes de toda essa tecnologia existir, os artistas já se utilizavam da fotografia para propor situações inexistentes. Como exemplo disso podemos citar as fotografias surrealistas e as fotomontagens.

Ambos os movimentos surgiram no início do século passado e se utilizavam de recursos muitas vezes bastente primitivos como o recorte e a colagem. Se antes a fotografia sofria o preconceito de não ser uma técnica artística por ser um registro frio e objetivo da realidade, após essas vanguardas artísticas os fotógrafos romperam de vez com qualquer dúvida que pudesse existir com relação ao pertencimento da fotografia ao mundo da arte. Veja alguns exemplos abaixo e conclua você mesmo se essas imagens não são expressões poéticas e conceituais de seus autores.

Para finalizar quero apenas mostrar uma dupla de artistas franceses que trabalha com a criação de mundos ideais por meio da fotografia. Pierre et Gilles desenvolveram uma técnica de trabalho que funde fotografia e pintura e por meio de sua arte criam um mundo de fantasia, glamour e perfeição. Através da confecção de cenários, figurinos, maquiagem e do jogo de iluminação, os artistas constroem o conceito de ideal, que baseado na artificialidade, ultrapassa o “falso absoluto” para atingir o grau de hiper-realidade. Os personagens utilizados em suas fotos também ajudam na construção desse mundo ideal e belo. São recorrente em seus trabalhos a retratação de santos, mártires, heróis, deuses gregos e, é claro, celebridades do mundo real que, ironicamente vivem num mundo de fantasia à parte de nossa realidade.

Ficou interessado em estudar mais sobre a relação entre fotografia e arte? A Escola de Fotografia Áurea Fotográfica preza muito o desenvolvimento da linguagem e a exploração das diferentes possibilidades que a fotografia oferece. Nós temos professores que além de fotógrafos são artistas plásticos e, por isso, estão constantemente explorando esse campo da fotografia conceitual. Venha estudar conosco e desenvolver também esse seu lado artístico! Conheça mais sobre a escola em nosso site: www.aureafotografica.com.br

Regra dos terços

Você já reparou no logotipo da nossa escola, a Áurea Fotográfica? É o desenho da espiral áurea que serve como base para a composição da arte clássica, seja pintura, escultura ou até mesmo arquitetura.

Áurea fotográfica

Uma simplificação dessa proporção dourada para tornar a composição mais fácil é a regra dos terços.

O LULI RADFAHRER, um dos professores mais conceituados da USP, diz que a câmera fotográfica não é uma arma para você mirar bem no centro de  algo e atirar. Portanto, a regra básica para conseguir boas composições é: não centralize! Desloque seu objeto de interesse para um dos cantos da imagem.

avião na mira!

Veja a foto acima do avião. Acho que o autor queria derrubá-lo, e o pior é que ele é bom de mira. Centralizou direitinho o avião! Mas com isso, errou feio na composição.

Ainda segundo o Luli, a simetria é algo óbvio, estático e previsível. Por isso temos que fugir da centralização para promover o dinamismo na imagem.

regra dos terços

A regra dos terços é muito simples, com duas linhas imaginárias, divida a imagem em três partes iguais tanto na vertical quanto na horizontal. Procure colocar os objetos principais da sua foto em uma dessas linhas ou na intersecção delas, onde são os focos de interesse, como mostra o esquema acima.

Veja o seguinte exemplo:

Plaza del Ayuntamiento, Valencia, Espanha

Os principais focos de interesse nessa foto são: o velhinho e o sol. Perceba como eles estão posicionados sob as linhas que dividem os terços verticais da imagem. Ainda, continuando a composição, podemos ver a linha do horizonte sob  a linha que delimita o terço inferior. Esses elementos foram parar aí por sorte? Claro que não! O enquadramento e o ponto de vista do fotógrafo foram ajustados para que cada elemento de interesse ficasse em uma das linhas que dividem os terços.

Cristiane Frolini

Veja este segundo exemplo acima que é menos evidente. Os focos de interesse que são os seios, a mão e o rosto não estão exatamente sob as linhas que dividem os terços. Mas a regra continua sendo respeitada: os seios e a mão estão no terço inferior da imagem e o rosto está no terço superior esquerdo. Deu pra perceber que existe uma tolerância para deslocar os elementos um pouco pra lá ou pra cá. Eles não precisam ficar exatamente sob as linhas.

barbie

Quando fazemos um retrato, o foco de interesse está na cabeça. Então, atenção a ela! Monte a composição de modo que a cabeça do retratado esteja sob uma das linhas verticais. Se ela estiver numa intersecção de uma vertical com uma horizontal, melhor ainda. De modo geral, a imagem fica melhor quado o espaço livre da imagem (o fundo) está do lado para o qual a pessoa retratada está olhando. Neste exemplo acima, como a cabeça da Barbie está ligeiramente virada para a esquerda da imagem, foi deste lado que o espaço apareceu. Assim parece que a pessoa tem mais ar pra respirar e também não dá a sensação que que ela está olhando fixamente contra uma parede.

composição rosto

Já, quando fotografamos um rosto, os pontos de interesse são os olhos e a boca. Portanto, atente para as posições deles na imagem. Confira como isso foi feito no exemplo acima: os olhos no terço superior; a boca no terço inferior; toda a cabeça no terço direito e o fundo (o vazio da imagem) mais do lado para o qual o rosto está virado.

Anda com relação à regra dos terços devemos pensar o seguinte. O que está no alto da imagem nos traz a sensação de leveza, movimento, alegria, espiritualidade, céu. Enquanto que tudo que está abaixo nos dá a sensação de peso, descanso, estabilidade, tristeza, solidez, terra. Assim, quando for compor a imagem, pense naquilo que você quer transmitir ao observador. Observe os exemplos abaixo.

composição avião pássaro

Voltando à nossa primeira imagem do avião. Perceba como ela ficou melhor enquadrada desta maneira. Assim, temos a sensação de que o avião voa mais alto. Já na imagem ao lado, como o passarinho está pousado num galho, ficou melhor enquadrá-lo no terço inferior da imagem, assim temos a sensação de que ele descansa tranquilo.

Pra terminar veja esses dois últimos exemplo:

composição caminhando

As duas fotos ao lado foram feitas a partir de uma mesma imagem, porém perceba como elas são diferentes. Na primeira, como temos mais imagem na frente do homem, temos a sensação de que ele está chegando, entrando na história que a foto conta. Já na segunda imagem, como temos mais fundo atrás do homem, temos a sensação de que ele está indo embora, está saindo da nossa história.

Concluindo, a regra dos terços serve para inserir o elemento principal da foto num contexto, inserir o personagem numa história, relacionar os diferentes planos da imagem e guiar o olho do obsevador. Essa regra é excelente e funciona para a grande maioria das imagens. Até dá pra fazer boas composições fugindo disso, mas o que ninguém pode negar é que a regra dos terços nunca falha.

A regra dos terços é a primeira ensinada quando se fala de composição da imagem fotográfica. Mas ela não é a única. A Escola de Fotografia Áurea Fotográfica dá muita importância à composição da imagem. Queremos que nossos alunos desenvolvam o olhar para fazer fotos harmoniosas e criativas. Acesse o site da escola para conhecer nossos cursos: www.aureafotografica.com.br

A importância da pós-produção

O tratamento digital das imagens fotográfica usando softwares de edição é indispensável nos dias atuais. Todo fotógrafo profissional ou amador utiliza algum programa de manipulação para melhorar suas imagens. A Escola de Fotografia Áurea Fotográfica sabe disso e, por essa razão, oferece cursos de Photoshop e Lightroom, os dois programas mais completos e famosos para pós-produção de uma fotografia digital. Quer conhecer os cronogramas dos nossos cursos? Acesse o site da escola para mais informações: www.aureafotografica.com.br

Aquela história de fotógrafos puristas que afirmam que uma fotografia boa de verdade deve ser conseguida no momento do clique já era. Mesmo porque o retoque em fotos sempre existiu desde que a fotografia foi inventada. A diferença é que hoje, com a tecnologia digital, fica muito mais fácil e versátil fazer alterações de todo tipo em nossas imagens.

Contudo, com a afirmação acima, não estamos dizendo que o fotógrafo pode fazer a foto sem cuidados técnicos para depois arrumá-la no Photoshop. Não é isso! O bom fotógrafo presta muita atenção em todos os ajustes necessários na hora de fazer a foto para que ela saia da melhor maneira possível. No entanto, uma foto linda pode ficar maravilhosa depois de uma pós-produção no computador.

Todo tipo de alteração que fazemos na foto depois de tirada é chamado de pós-produção. O Photoshop e o Lightroom são de longe os softwares mais utilizados graças as suas gamas de recursos e ferramentas. Mas existem outros no mercado, como por exemplo o Photopaint, o Photoscape e o Picasa. Contudo, esses programas são mais simples e oferecem menos recursos.

Mesmo quando tomamos todos os cuidados necessários para tirar nossas fotos (ajustando a câmera corretamente, montando uma boa iluminação e buscando o enquadramento perfeito) a manipulação digital da imagem numa pós-produção se faz necessária. Além disso, a manipulação digital da imagem fotográfica não serve só para corrigir pequenos defeitos ou melhorar uma foto que já é boa. Os recursos dos softwares de edição de imagens abriram uma porta para um novo mundo de possibilidades. A alteração de cores, de contraste, de saturação, as distorções variadas, a sobreposição de imagens… tudo isso possibilita a criação de novas atmosferas para tornar incríveis imagens que poderiam ser banais. Veja os exemplos abaixo.

Bárbara e irmãs

Neste primeiro exemplo temos apenas uma pós-produção para a melhoria da imagem. A foto original está à esquerda e à direita encontra-se a foto retocada. Neste caso, o primeiro passo foi fazer uma correção de cor. A luz incandescente, que sempre dá um tom amarelado para as fotos, foi corrigida para o branco. Posteriormente foi feito um ajuste de brilho e contraste para fazer aparecer os detalhes que estavam muito escuro. Com essa correção uniformizou-se também os tons de pele do rosto e do corpo. Por último foi apagada a moldura do quadro que aparecia no canto superior esquerdo. Lembra do tópico Elimine o que é desnecessário? Então, a moldura só estava deixando a foto feia, por isso foi retirada.

Francesco de Ruvo

Neste segundo exemplo já temos um caso em que as alterações feitas na imagem não têm só a intenção de corrigir pequenos defeitos. O objetivo aqui foi deixar a imagem mais dramática e  mais forte, já que se trata de um retrato masculino. Para tanto foi usado um alto contraste para acentuar os volumes dos músculos. Os poros da pele também foram evidenciados, conferindo um aspecto mais rústico ao rapaz. Por fim, para destacar a expressividade de seu rosto, foi feito um novo recorte, eliminando o que não interessava e evidenciando aquilo que a foto tem de melhor. Contudo, apesar de todas essas modificações, nada foi inventado ou inserido na imagem, todo o trabalho foi feito em cima daquilo que a fotografia já fornecia.

Nos dois exemplos acima os ajustes feitos na imagem podem ser chamados de retoque, ou tratamento, pois apenas foi melhorado aquilo que a foto já possuía, nada foi inventado. Esse é o tipo de tratamento feito pelo Lightroom. Já o Photoshop, além de possibilitar retoques na imagem também permite a alteração completa, fazendo fusões de várias fotos, apagando ou acrescentando novos elementos e modificando o tamanho e formato das coisas. Isso é o que a gente chama de manipulação, ou seja, é uma alteração muito mais agressiva e drástica.

Foto de Omar Rodriguez

As imagens acima já são um exemplo de manipulação digital extremada. O trabalho foi realizado por Omar Rodriguez a partir da foto da esquerda, que diga-se de passagem, já está super photoshopada. Mas Omar altera completamente a imagem acrescentando novos elementos e efeitos, além dos ajustes básicos de cor e contraste.

Por fim, a dica é: aproveite todos os recursos disponíveis de manipulação digital, mas utilize-os com parcimônia, pois o excesso pode ficar de gosto duvidoso ou pode deixar evidente algo que era para parecer natural. Por exemplo, quando for trabalhar num retrato de uma garota, faça-o até o ponto em que a imagem pareça natural, ou seja, que a garota pareça naturalmente bonita. Se os truques do photoshop começarem a aparecer você perde os créditos pela boa foto e quem leva a fama é o próprio software. Além do mais, existem coisas que são de mau gosto. Ser bom profissional, não é simplesmente saber usar o photoshop, é saber usá-lo na medida certa. Veja abaixo dois exemplos de exageros.

HDR

A imagem desse carro foi feita usando a técnica do HDR. Contudo, aqui o autor exagerou na mão. Parece que ele se deslumbrou com o recurso e não soube a hora de parar. A foto ficou com uma velatura cinza por sobre toda a imagem e apareceram uns halos claros em volta das árvores. Com o HDR dá pra criar imagens fantásticas, mas dá pra fazer umas aberrações como esta também.

aquarela

Outro exemplo desaconselhado é o de tentar fazer a foto parecer uma aquarela, pintura ou desenho a lápis. Não tem nada mais falso e brega do que usar esses efeitos do Photoshop.  Fujam disso se vocês quiserem ser respeitados como fotógrafos ou artistas. Fotografia é fotografia, desenho é desenho e pintura é pintura. Cada técnica tem suas características próprias. Não fique tentando imitar uma coisa com outra.

Se você quiser aprender a tratar suas fotos com perfeição sem correr o risco de cometer deslizes ou tratamentos de mau gosto, venha estudar com a gente. Na Áurea Fotográfica, ensinamos não só a utilizar as ferramentas dos programas de edição de imagens, mas também damos orientações de como fazer esses ajustes da melhor maneira e ajudamos o aluno a desenvolver um bom senso estético para fazer fotos com requinte. Coisa que não se aprende na internet, pois só a assessoria de um bom professor pode orientar o aluno para um trabalho de qualidade. Acesse nosso site e confira nossos cronogramas de curso: www.aureafotografica.com.br

Diane Arbus

Com o intuito de criar um repertório visual em seus alunos e ajudá-los a expandir suas temáticas fotográficas, a Escola de Fotografia Áurea Fotográfica disponibiliza regularmente um post sobre um fotógrafo diferente. Isso porque a Áurea Fotográfica acredita que boas referências são fundamentais para o desenvolvimento da linguagem fotográfica, pois não é só a técnica que forma um bom fotógrafo. A temática, o conceito e o olhar são fundamentais para o aprimoramento de quem quer explorar a fotografia, seja profissionalmente ou apenas como um hobby.

Se você também quer expandir sua fotografia para além da técnica, venha estudar conosco. Temos cursos para todos os níveis e intuitos. Na Áurea Fotográfica, técnica e linguagem caminham juntos! Acesse nosso site para mais informações: www.aureafotografica.com.br

Leiam o texto abaixo e se surpreendam e se emocionem com as fotos de Diane Arbus!

The Human Pincushion, Ronald C_ Harrison, New Jersey, 1962

Dar uma câmera fotográfica a Diane Arbus é como dar uma granada de mão a um bebê.

Norman Mailer

Diane Nemerox nasceu em Nova York no dia 14 de março de 1923 e cresceu no Central Park West. Seu pai possuía uma loja de departamentos na 5a Avenida. Aos 14 anos Diane conheceu Allan Arbus, com quem ela se casou quatro anos depois. Foi com Allan que Diane tomou gosto pela fotografia. O Casal trabalhou em diversas revistas de moda, além de fazer uma campanha publicitária para a loja de departamentos do pai de Diane. Contudo, depois de se separar de Allan, Diane resolveu seguir um caminho próprio. Foi então que estudou com Alexey Brodovitch, Richard Avedon e, principalmente, Lisette Model que teve influência decisiva no estilo da fotógrafa. No início dos anos 60 Diane deu início à carreira de fotojornalista e publicou na Esquire, The New York Times Magazine, Harper`s Bazaar e Sunday Times, entre outras revistas. Por esta altura, escolheu uma máquina reflex de médio formato Rolleiflex com dupla objetiva, em detrimento das máquinas de 35 mm. Com a Rolleiflex teria “vistas largas”, mais resolução e um visor à altura da cintura que lhe proporcionava uma relação mais próxima com o fotografado.

Identical twins, (Roselle, New Jersey, 1967

Apesar de pertencer a uma família da alta burguesia e de ser fotógrafa de moda, Arbus optou, como novo trabalho, por fazer de sua arte fotos despojadas de qualquer glamour. Para tanto, fotografou obsessivamente os freaks dos porões de uma Nova York triunfante, onde a ordem moral vigente determinava, através de dispositivos legais do município, a repulsão de pessoas inconvenientes à limpidez das rotas turísticas da cidade. Assim, indigentes, prostitutas e outros “maus elementos” foram varridos para as zonas periféricas, evitando qualquer mal estar para as classes favorecidas da região central. Diane obstinou-se justamente nesses personagens marginalizados. A eles juntaram-se anões, gigantes, deficientes mentais e travestis, que se tornaram personagens recorrentes em sua galeria de excentricidades. Diane adorava essas pessoas estranhas pelos quais afirmava sentir ao mesmo tempo fascinação e vergonha: “como um personagem de um conto de fadas o freak aparece para nos obrigar a decifrar um quebra-cabeça”. E ela continuava dizendo que “a maioria das pessoas passam a vida temendo uma experiência traumática. Os freaks nasceram banhados pelo trauma. Com isso passaram no teste da vida. São aristocratas”. Os retratos são sempre em preto e branco. Percebe-se que seus modelos posam estáticos para ela, o olhar fixo na câmera. O que se vê são pessoas cruamente expostas em sua precária condição humana, fortemente marcadas por um traço, ou vários, que as insere num grupo específico, uma comunidade ou o que hoje modernamente chamamos de uma “tribo”: os travestis, anões, mascarados, etc. Com isso Arbus abriu um curioso diálogo entre aparência e identidade, ilusão e crença, teatro e realidade. Uma pessoa é o que ela parece ser? Sua imagem funciona como um carimbo de identidade? Ou existe um “para além” da forma? Apesar de profundamente inseridos num contexto social, para Arbus seus modelos são pessoas únicas que representam metáforas delas mesmas. Procuram, ao acentuar um aspecto físico, um detalhe qualquer na roupa, a diferenciação possível dentro do grupo a que pertencem. Numa tradução livre de suas palavras ela diz que seus modelos “inventados por suas próprias crenças são autores e heróis de um sonho que se faz real na medida em que nós, espectadores, nos permitimos deixar abismar”. Com seus retratos, ao evocar a cumplicidade de quem olha, Arbus permite que surja nesta relação tridimensional (artista, modelo e espectador) o espaço da criação. Seria este o “mais além”? O lugar da fantasia de cada um? Susan Sontag, no prefácio do livro Women (Ed. Random House, New York) de Annie Leibovitz, propõe uma questão interessante: “A fotografia não é uma opinião. Ou é?” Para Arbus um retrato é “um segredo sobre um segredo”. Quanto mais ele revela, menos sabemos, mais ficamos intrigados. Num certo sentido o retrato convida a uma opinião, pede uma reação, reação esta calcada nas representações que brotam do imaginário de quem olha.

Mexican dwarf in his hotel room (Lauro Morales, aka Cha Cha), New York, 1970

Além disso, os retratos de Diane Arbus trazem quase sempre a combinação de dois elementos fundamentais. Em primeiro lugar, uma empatia do sujeito fotografado com o fotógrafo. Os modelos de Diane parecem confiar nela, oferecendo-se à câmara com o olhar. Por outro lado, há um detalhe técnico que acrescenta uma aura de estranheza ao retrato: Diane foi uma das primeiras fotógrafas a usar sistematicamente o flash juntamente com a luz do dia. Não só isto evitava o escurecimento de rostos frente a cenários demasiadamente claros, como também banhava o modelo com uma luz dura e direta, sem artifícios. O resultado desta combinação, além da precisa escolha das pessoas fotografadas, é um trabalho marcante e perturbador, que coloca Diane Arbus como um dos nomes mais importantes da fotografia documental

Child with a toy hand grenade in Central Park, New York, 1962

Diane Arbus também gostava de fotografar casamentos e outros rituais que para ela representam momentos marcantes de emoção compartilhada. Procurava mostrar que o contágio de sentimentos, o caráter repetitivo dos rituais insere as pessoas nas suas comunidades dando sentido à vida, tecendo a identidade de cada um pela identificação com o outro. Ao exprimir o retorno do mesmo, o ritual parece querer “driblar” a morte. Se pensarmos que a fotografia congela um instante no tempo, Arbus imortalizou seus modelos, imortalizou Nova York como o território livre que abriga todo tipo de gente.

Masked woman in a wheelchair, Pa_, 1970

A sensação de estranhamento diante das fotografias de Diane Arbus remete a um artigo escrito por Freud em 1919 “Das Umheimliche”, cujo título original foi traduzido como “O Estranho”, que pode ser também o inquietante, o macabro. A palavra alemã “umheimliche” curiosamente traz uma ambigüidade que oscila entre num extremo o “familiar” e no outro o “desconhecido”. Então tudo que para nós é estranho é ao mesmo tempo familiar. Duas faces da mesma moeda. Nossa inquietação diante do estranho só é possível porque ele nos leva de encontro a um familiar que ficou esquecido, dormindo calado no inconsciente. Não raro diante de uma fotografia de Arbus surge o primeiro impulso de afastar o olhar, desconcertados “não queremos ver” para em seguida, querermos “ver” no sentido pleno de “olhar” (sentir o que se passa no nosso interior). As fotos de Diane tiveram reconhecimento imediato, tanto que ela recebeu duas vezes a bolsa Guggenheim, em 1963 e em 1966, para subsidiar seu trabalho e desenvolver melhor um trabalho de autor. Um ano após sua primeira bolsa, seu trabalho foi reconhecido por John Szarkowski que deu forma a primeira exposição da fotógrafa no Museu de Arte Moderna (MoMA), em Nova York. Depois ela se dedicou a ensinar fotografia na Parsons School of Design em Nova York e no Hampshire College em Amherst, Massachusetts.

Hermaphrodite and Dog in a Carnival Trailer, Maryland, 1970

No fim dos anos sessenta Arbus entrou nos asilos e hospitais e fez dos velhos, doentes e anormais seus modelos. Nos retratos “untitled” vê-se todo tipo de tragédia humana que nos chocam enquanto seduzem o mórbido que habita em cada ser humano. É desta época os perturbadores retratos com máscaras grotescas. Se, como afirma outra fotógrafa famosa, Dorothea Lange “cada retrato de outra pessoa é um auto-retrato” as fotos de Diane Arbus são o seu duplo, o reflexo de uma alma atormentada à beira do horror.

A Husband and Wife in the Woods at a Nudist Camp, New Jersey, 1963

Quando no auge de sua carreira, a fotógrafa se suicidou ingerindo barbitúricos e cortando os pulsos em 26 de julho de 1971. Em 1972 John Szarkowski concebeu uma exposição retrospectiva do trabalho de Diane. O catálogo da exposição tornou-se num dos mais influentes livros de fotografia. Desde então, foi reimpresso 12 vezes e vendeu mais de 100 mil cópias. A exposição do MoMa viajou por todo o país e foi vista por 7 milhões de pessoas. No mesmo ano, Arbus tornou-se a primeira fotógrafa americana a ser escolhida para a Bienal de Veneza. Em 2007 estreou o filme ‘A Pele’, com Nicole Kidman, baseado na vida da fotógrafa.

Boy with a straw hat waiting to march in a pro-war parade, New York, 1967

Crie hierarquias e planos

A Escola de Fotografia Áurea Fotográfica sempre instiga seus alunos a pensar a composição de suas fotos de maneira mais sofisticada. Trabalhar com planos na fotografia faz com que a imagem bidimensional ganhe uma sensação de profundidade. Além disso, a foto ganha uma maior elaboração na interação entre os diferentes planos, o que torna o assunto muito mais rico e contextualizado.

Toda história tem personagens principais e secundários. Faça o mesmo em suas fotos, crie uma hierarquia de leitura. Construa composições com diferentes planos: coisas que aparecem mais à frente e outras mais ao fundo; planos focados e desfocados; objetos iluminados e outros na penumbra. A intenção é fazer com que a foto ganhe profundidade e o observador passe mais tempo apreciando a imagem e relacionando os elementos uns com os outros. Além do personagem (ou objeto) principal,  inclua outros secundários que vão  contextualizando a cena tornando a história da foto mais elaborada. Procure ângulos para valorizar a profundidade da foto. Mas tome cuidado com a disposição desses novos elementos, eles devem complementar o assunto princial e não competir com ele. Assim, tome cuidado para que os elementos não se sobreponham de modo a dificultar a visualização um do outro. Veja os exemplos a seguir.

Foto de Sergi Bernal

Quem você vê primeiro? E depois? E num terceiro momento? Esta imagem é rica por seus múltiplos planos. A personagem principal dessa foto obviamente é a menina que pula corda. Mas num segundo momento vemos seu pai que está mais ao fundo batendo a corda. Em terceiro lugar vemos mais crianças fazendo uma fila para também pular corda. E se nos atentamos mais ainda vemos que há pessoas ao fundo passeando pela praça. Perceba quantos elementos existem nessa foto que compõem o ambiente alegre e descontraído de um dia de lazer. O mais importante é que todos esses elementos se complementam sem competirem por atenção. Eles estão dispostos na imagem de maneira clara de modo a guiar o olhar do observador sem conturbá-lo. Além de tudo isso, essa foto chama a atenção pelo ponto de vista do fotógrafo, é como se ele estivesse inserido na brincadeira, a visão de baixo para cima faz o salto da menina parecer mais emocionante, mais alto.

Foto de Marcos Arruda

Fotografias macro são sempre interessantes, pois nos permitem ver detalhes que a olho nu passam desapercebidos e sempre ficamos facinados com a beleza das coisas diminutas. Essa imagem em questão tem uma doçura que abre o sorriso de qualquer observador. A foto apresenta uma hierarquia de planos: um focado e outro não. Temos a contraposição de dois extremos, um plano rico em detalhes e nitidez e outro em situação oposta. O intrigante dessa foto é que ela nos traz um interessante jogo de quem é o personagem principal, a formiga ou o garoto?

xadrez

Na foto acima vemos outro exemplo de planos focados e desfocados. Contudo, diferente da imagem anterior, nesta, as peças de xadrez que em primeiro plano estão desfocadas. As que estão mais ao fundo, num terceiro plano, também. Um artifício simples e que deixa a imagem muito mais interessante!

paisagem

Veja este exemplo que bonito. Temos na paisagem múltiplos planos. Atente para o cuidado do fotógrafo não deixar os mourões das cercas se sobreporem para não confundirem o observador. Perceba também a gradação de desfoque e contraste que o fotógrafo fez para protagonizar a cerca em primeiro plano, onde está o pássaro.

silhueta

Clássico exemplo de contraluz. Da moça em primeiro plano vemos somente a silhueta. Já a noção de profundidade é conferida pela gradação de cinzas que evidencia os diferentes planos das paredes.

Em suma, como já foi dito em outro tópico, fazer uma foto é contar uma história. Conte a sua com desdobramentos além do objeto principal; relacione seu personagem com outros secundários; atente para o que está no fundo; brinque com o desfoque e a luz para mostrar e esconder o que lhe convém.

Gostou dessa dica? Com certeza, se você criar imagens com múltiplos planos, suas fotos vão ficar muito mais interessantes e vão parecer mais profissionais. O que apresentamos aqui é só uma amostra dos conceitos abordados nos cursos de fotografia da Áurea Fotográfica. As questões da linguagem fotográfica são abordadas desde o curso básico de fotografia e vão se tornando mais elaboradas no curso intermediário e avançado que a escola oferece. Se você quiser aprender muito mais, ter suas fotos analisadas pelos professores para que possa receber dicas específicas para o seu aprimoramento, venha estudar conosco. Acesse nosso site para mais informações: www.aureafotografia.com.br

Elimine o que é desnecessário

Toda história tem um personagem que pode ser humano ou não, pode até mesmo ser inanimado. Quem não se lembra do livro “O Cortiço” de Aluísio Azevedo? No livro o personagem principal é o próprio cortiço e não seus moradores.

Quando for fazer sua foto destaque o personagem do seu entorno. Isso não significa que ele deve estar necessariamente em primeiro plano, significa apenas que quando olhamos a foto devemos conseguir identificar o personagem com clareza e, quando for o caso, enxergar sua expressão facial, seu gesto ou o que a situação pedir. Exemplo prático: você quer fotografar um malabarista numa multidão. Então deixe claro que o malabarista é o personagem e não deixe que ele se perca entre as pessoas.

Amigos na rua

Veja esse exemplo acima. Na primeira foto as pessoas de interesse estão tão longe que se misturam na multidão. Aposto que você nem conseguiu ver a garota com a cabeça deitada ao lado do cara com o braço erguido. Reenquadrar a foto aproximando os personagens não os tirou do contexto que é a rua, o que se via além disso era excesso e não faz falta.

Aniversário

Veja este outro exemplo: amigos se cumprimentando numa festa de aniversário. Se o tema da foto é a confraternização dos amigos, por que enquadrar tanto teto?

E as pessoas e as cadeiras ao fundo? Nessa foto não têm importância alguma e, portanto, não precisam aparecer. Veja que com a imagem reenquadrada nos atemos muito mais aos detalhes dos amigos.

As fotógrafas

Acima temos mais um exemplo de falta de atenção na hora de compor a imagem. À direita vemos uma pessoa cortada e isso incomoda. Essa pessoa não tem relação alguma com as moças fotografadas. Perceba que elas estão interagindo com o fotógrafo e não com a pessoa ao lado. Conclusão: exclua-a que não fará falta alguma e a composição ficará mais limpa.

Retrato

Nesse último exemplo vemos que eliminar o desnecessário não significa tirá-lo da imagem. Desfocar o fundo elimina o excesso de detalhes que poderiam compertir com a moça. Assim, ela ganha destaque como protagonista, enquanto o fundo se torna um cenário ainda reconhecível.

Quando for fazer uma foto, esteja muito atento àquilo que aparece no entorno do assunto fotografado. Não deixe aparecer nada que não devesse estar ali e cuidado para não mostrar as coisas cortadas pela metade. Esses pedaços de objetos e pessoas se tornam um ruído na imagem, deixam a composição desleixada.

Essa foi uma dica muito simples, mas que já vai fazer toda diferença nas suas fotos. Já pensou como suas imagens podem melhorar ainda mais com dicas de composição muito mais elaboradas? Na Escola de Fotografia Áurea Fotográfica os temas de composição e linguagem fotográfica são abordados com muita ênfase, pois desenvolver o olhar do aluno é crucial para um aprimoramento completo. Venha estudar conosco e passe a fazer fotos incríveis! Veja mais informações em nosso site: www.aureafotografica.com.br