Arquivo de enquadramento

Enquadramento e recorte da imagem

Posted in Composição e enquadramento with tags , , , , , , , on 27/09/2010 by fotografiafacil

Quando vamos pesquisar sobre enquadramento em fotografia sempre encontramos aquela velha lista de tipos de enquadramendo, tais como: plano geral, plano americano, primeiro plano e plano detalhe. Isso é muito bom quando vamos fazer, por exemplo, um roteiro de um vídeo ou um briefing de uma foto para uma campanha publicitária, pois esses nomes facilitam a conversa entre os profissionais que trabalham nessa área. Contudo, para quem quer apenas aprender dicas de fotografia para o uso no dia-a-dia, essas classificações de enquadramento não servem para nada. O importante neste caso é saber como podemos cortar nossas fotos e, para isso, existem algumas regras simples a serem seguidas. Como em toda regra existe excessão, você pode conseguir boas fotos fugindo das dicas que vou apresentar aqui. Mas, em caso de dúvida, siga o roteiro apresentado neste post e tenha a garantia de não errar no enquadramento.

Recorte do Corpo

 A dica aqui é muito simples: nunca corte o corpo de uma pessoa nas articulações. Ex: joelho, punho, cotovelo, tornozelo, etc. Isso faz a pessoa parecer amputada, maneta, perneta…

Para fugir a essa desagradável sensação a dica é sempre cortar o corpo entre as articulações. Assim, é permitido cortar no meio da perna, no meio da coxa, no meio do antebraço e no meio do braço. É claro que quando eu digo no meio, isso não significa exatamente no meio do membro. Pode ser um pouquinho pra cima ou pra baixo. O importante é nunca ser na articulação.

No caso da barriga, corte acima ou abaixo do umbigo, mas nunca exatamente sobre ele. A mesma regra serve para os mamilos.

Veja os exemplos a seguir, na primeira foto o modelo foi cortado no meio da coxa; já na segunda foto, temos um enquadramento mais ousado, em que a modelo foi cortada em diversos locais. Contudo, observe que em nenhum momento fugiu-se a regra. Os corte foram feitos todos entre as articulações dos membros.

Recorte da cabeça

Existe a ideia de que uma foto bem feita é aquela em que não se corta a cabeça do modelo. Bobagem! Pode-se cortar a cabeça a vontade, desde que se corte nos locais certos. Para isso, a regra é muito simples. Podemos cortar a cabeça nos seguintes locais: topo da cabeça; meio da testa; meio do nariz; entre o nariz e a boca; e meio do queixo. Em outras palavras, só não podemos cortar a cabeça na altura dos olhos e da boca. Veja os seguintes exemplos:

Abaixo temos uma foto muito clássica. Perceba que o corte no topo da cabeça não prejudica a imagem. Contudo, o corte na cabeça só faz sentido se a pessoa estiver enquadrada em primeiro plano, ou seja, preenchendo toda a imagem. Note que nesta foto os ombros também foram cortados. Não teria sentido fotografar a pessoa de corpo inteiro só com o topo da cabeça cortada.

Neste segundo exemplo a modelo foi cortada na altua da testa. A imagem continua bastante natural. De novo, só faz sentido cortar a testa desta maneira se a pessoa estiver enquadrada em primeiro plano.

Neste terceiro exemplo, o enquadramento está bem mais fechado. Perceba que as modelos tiveram seus rostos bastante cortados. Contudo, os olhos e a boca foram preservados.

Neste quarto exemplo já temos um plano detalhe. Não vemos o rosto todo da modelo. Entretanto, perceba que o corte da imagem não foi feito a esmo. O rosto foi cortado no meio do nariz e os braços foram cortados entre as articulações.

Por fim, temos um exemplo de plano bem fechado. A boca até foi cortada no canto esquerdo, mas isso não compromete a imagem, já que a regra de não cortar a boca se refere a cortá-la horizontalmente na linha de divisão dos lábios.

Recorte da cena

 Existe uma diferença enorme entre deixar os objetos da cena aparecerem inteiros na foto ou deixá-los vazarem para fora da imagem. Neste caso não existe certo e errado, tudo depende da intenção que você tem com a foto. No geral, o que posso dizer é que, se tratando de um cenário, o melhor é cortar os objetos que aparecem nos cantos da foto. Assim, temos a impressão de que o cenário continua além da imagem, ou seja, de que ele é grande. Caso contrário, se enquadramos todos os objetos inteiros na foto, fica evidente de que o cenário é só aquilo que aparece, o que pode dar uma sensação de pobreza ou pequenez.

Veja esse primeiro exemplo acima. Perceba que todos os objetos estão cortados: o livro, o abajur, a janela com a cortina e o rapaz dormindo. Isso dá a sensação de que o quarto é grande, de que existem outras coisas fora da foto que não foram mostradas. Ainda temos a sensação de que a mesa sobre a qual está o livro também é grande e que devem existir outros objetos ali além do livro. Além disso, cortar o livro e o abajur, dá a impressão de que esses objetos estão mais próximos e a cena, neste caso, fica dividida em dois planos distintos: o primeiro onde estão os personagens de brinquedo e o segundo onde está o rapaz.

Neste segundo exemplo vemos uma pessoa atacando a geladeira de madrugada. Perceba que nenhum alimento aparece por inteiro na foto com excessão dos potes que estão na porta da geladeira. Cortar os alimentos em primeiro plano faz parecer que tem mais comida na geladeira, que tem tanta comida que nem coube na foto.

Por fim, veja esse exemplo de Pierre et Gilles. O conjunto de rosas que rodeia o modelo se extende para além da foto. Isso faz parecer que existe um número muito maior de flores, porque não sabemos até onde elas vão. Contudo, podemos intuir que, na verdade, as rosas não eram tantas assim, pois não teria necessidade encher o cômodo todo de rosas para tirar a foto, se só com um pouco já conseguimos o efeito desejado apenas com base no enquadramento.

Para finalizar, no momento de fazer o recorte da imagem pense também na harmonia da composição. Para tanto, a regra dos terços é bastante útil.

Regra dos terços

Posted in Composição e enquadramento with tags , , , , , , , , , , on 25/07/2009 by fotografiafacil

O LULI RADFAHRER, um dos meus professores de fotografia, dizia que a câmera fotográfica não é uma arma para você mirar bem no centro de  algo e atirar. Portanto, a regra básica para conseguir boas composições é: não centralize! Desloque seu objeto de interesse para um dos cantos da imagem.

avião na mira!

Veja a foto do avião ao lado. Acho que o autor queria derrubá-lo, e o pior é que ele é bom de mira. Centralizou direitinho o avião! Mas com isso, errou feio na composição.

Ainda segundo o Luli, a simetria é algo óbvio, estático e previsível. Por isso temos que fugir da centralização para promover o dinamismo na imagem.

 regra dos terçosA regra é muito simples, com duas linhas imaginárias, divida a imagem em três partes iguais tanto na vertical quanto na horizontal. Procure colocar os objetos principais da sua foto em uma dessas linhas ou na intersecção delas.  Como mostra o esquema ao lado.

Veja esse exemplo:

Plaza del Ayuntamiento, Valencia, EspanhaOs principais focos de interesse nessa foto são: o velhinho e o sol. Perceba como eles estão posicionados sob as linhas que dividem os terços verticais da imagem. Ainda, continuando a composição, podemos ver a linha do horizonte sob  a linha que delimita o terço inferior. Esses elementos foram parar aí por sorte? Claro que não! O enquadramento e o ponto de vista do fotógrafo foram ajustados para que cada elemento de interesse ficasse em uma das linhas que dividem os terços.

Cristiane FroliniVeja este exemplo menos evidente. Os focos de interesse que são os seios, a mão e o rosto não estão exatamente sob as linhas que dividem os terços. Mas a regra continua sendo respeitada: os seios e a mão estão no terço inferior da imagem e o rosto está no terço superior esquerdo. Deu pra perceber que existe uma tolerância para deslocar os elementos um pouco pra lá ou pra cá. Eles não precisam ficar exatamente sob as linhas.

barbieQuando fazemos um retrato, o foco de interesse está na cabeça. Então, atenção a ela! Monte a composição de modo que a cabeça do retratado esteja sob uma das linhas verticais. Se ela estiver numa intersecção de uma vertical com uma horizontal, melhor ainda. De modo geral, a imagem fica melhor quado o espaço livre da imagem (o fundo) está do lado para o qual a pessoa retratada está olhando. Neste exemplo acima, como a cabeça da Barbie está ligeiramente virada para a esquerda da imagem, foi deste lado que o espaço apareceu. Assim parece que a pessoa tem mais ar pra respirar e também não dá a sensação que que ela está olhando fixamente contra uma parede.

composição rostoQuando fotografamos um rosto, os pontos de interesse são os olhos e a boca. Portanto, atente para as posições deles na imagem. Confira como isso foi feito no exemplo acima: os olhos no terço superior; a boca no terço inferior; toda a cabeça no terço direito e o fundo (o vazio da imagem) mais do lado para o qual o rosto está virado.

Anda com relação à regra dos terços devemos pensar o seguinte. O que está no alto da imagem nos traz a sensação de leveza, movimento, alegria, espiritualidade, céu. Enquanto que tudo que está abaixo nos dá a sensação de peso, descanso, estabilidade, tristeza, solidez, terra. Assim, quando for compor a imagem, pense naquilo que você quer transmitir ao observador. Observe os exemplos abaixo.

composição avião pássaroVoltando à nossa primeira imagem do avião. Perceba como ela ficou melhor enquadrada desta maneira. Assim, temos a sensação de que o avião voa mais alto. Já na imagem ao lado, como o passarinho está pousado num galho, ficou melhor enquadrá-lo no terço inferior da imagem, assim temos a sensação de que ele descansa tranquilo.

Pra terminar veja esses dois últimos exemplo:

composição caminhando

As duas fotos ao lado foram feitas a partir de uma mesma imagem, porém perceba como elas são diferentes. Na primeira, como temos mais imagem na frente do homem, temos a sensação de que ele está chegando, entrando na história que a foto conta. Já na segunda imagem, como temos mais fundo atrás do homem, temos a sensação de que ele está indo embora, está saindo da nossa história.

Concluindo, a regra dos terços serve para inserir o elemento principal da foto num contexto, inserir o personagem numa história, relacionar os diferentes planos da imagem e guiar o olho do obsevador. Essa regra é excelente e funciona para a grande maioria das imagens. Até dá pra fazer boas composições fugindo disso, mas o que ninguém pode negar é que a regra dos terços nunca falha.

Elimine o que é desnecessário

Posted in Composição e enquadramento with tags , , , on 15/07/2009 by fotografiafacil

Toda história tem um personagem que pode ser humano ou não, pode até mesmo ser inanimado. Quem não se lembra do livro “O Cortiço” de Aluísio Azevedo? No livro o personagem principal é o próprio cortiço e não seus moradores.

Quando for fazer sua foto destaque o personagem do seu entorno. Isso não significa que ele deve estar em primeiro plano, significa apenas que quando olhamos a foto devemos conseguir identificar o personagem com clareza e, quando for o caso, enxergar sua expressão facial, seu gesto ou o que a situação pedir. Exemplo prático: você quer fotografar um malabarista numa multidão. Então deixe claro que o malabarista é o personagem e não deixe que ele se perca entre as pessoas.

Amigos na rua

Veja esse exemplo ao lado. Na primeira foto as pessoas de interesse estão tão longe que se misturam na multidão. Aposto que você nem conseguiu ver a garota com a cabeça deitada ao lado do cara com o braço erguido. Reenquadrar a foto aproximando os personagens não os tirou do contexto que é a rua, o que se via além disso era excesso e não faz falta.

Aniversário

Veja este outro exemplo: amigos se cumprimentando numa festa de aniversário. Se o tema da foto é a confraternização dos amigos, por que enquadrar tanto teto?

E as pessoas e as cadeiras ao fundo? Nessa foto não têm importância alguma e, portanto, não precisam aparecer. Veja que com a imagem reenquadrada nos atemos muito mais aos detalhes dos amigos.

As fotógrafas

Aqui temos mais um exemplo de falta de atenção na hora de compor a imagem. À direita vemos uma pessoa cortada e isso incomoda. Essa pessoa não tem relação alguma com as moças fotografadas. Perceba que elas estão interagindo com o fotógrafo e não com a pessoa ao lado. Conclusão: exclua-a que não fará falta alguma e a composição ficará mais limpa.

Retrato

Nesse último exemplo vemos que eliminar o desnecessário não significa tirá-lo da imagem. Desfocar o fundo elimina o excesso de detalhes que poderiam compertir com a moça. Assim, ela ganha destaque como protagonista, enquanto o fundo se torna um cenário ainda reconhecível.

Qual o seu ponto de vista?

Posted in Composição e enquadramento with tags , , , on 14/07/2009 by fotografiafacil

Fazer uma fotografia é contar uma história, compor uma imagem fotográfica é decidir quais personagens e quais elementos entrarão nessa história. Assim, fotografar nunca é um ato neutro, o fotógrafo sempre vai eleger quais fatos ele mostrará em sua imagem e quais ele ocultará. Um simples movimento de câmera pode alterar completamente a mensagem que está sendo passada. É importante que tenhamos nossa opinião sobre as coisas e que saibamos como dizer o que pretendemos. Decidir qual o nosso ponto de vista e buscar uma maneira clara de mostrá-lo é o passo inicial para uma boa fotografia. Veja os exemplos abaixo.

guerra e paz

 Afinal, qual é a verdade? Crianças inocentes e seguras, ou uma realidade mais complexa? Um simples reenquadre muda completamente a cena. Cabe ao fotógrafo decidir o que vai ser mostrado ou escondido.

 

Confronto de policiais e estudante na USP-2009

As duas fotos acima foram feitas durante a greve na USP em 2009 e mostram o confronto entre os estudantes e a polícia militar. Contudo, cada uma tem seu ponto de vista. A da esquerda foi retirada de um blog de um estudante e claramente mostra sua indignação contra o ato policial de conter a manifestação estudantil. Já a foto da direita foi retirada do blog de um policial e tem por objetivo mostrar que os estudantes não eram tão somente vítimas, pois mostra um deles com uma pedra na mão. Saber quem começou o confronto e quem estava apenas se defendendo é uma tarefa que exige mais fatos. O caso é que as duas fotos acima são uma prova de que um mesmo episódio pode ser contado de maneiras diferentes. Na fotografia, quem faz essa escolha é o fotógrafo.

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